O balanço revelador da Kraft Heinz: cadê o crescimento?

ÀS SETE - Quando a empresa divulgar seus resultados trimestrais e anuais vai ficar claro que uma companhia não pode viver só de eficiência operacional

Quando a fabricante de alimentos Kraft Heinz divulgar seus resultados trimestrais e anuais antes da abertura do mercado americano nesta sexta-feira vai ficar claro que uma companhia não pode viver só de eficiência operacional.

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A Kraft Heinz, administrada pelo fundo brasileiro 3G desde sua criação, em 2015, vai voltar a apresentar resultados espetaculares em lucratividade e rentabilidade. Nos primeiros nove meses de 2017 a empresa anunciou lucro operacional de 5,1 bilhões de dólares, 12% acima do mesmo período de 2016.

Desde 2015, um rigoroso programa de controle de custos gerou mais de 2 bilhões de dólares em economia com a demissão de milhares de funcionários e o fechamento de escritórios e fábricas deficitários.

O problema está na dificuldade de crescer. Desde os anos 90, quando compraram a cervejaria brasileira Antarctica, os controladores do 3G preferem ganhar terreno por aquisições, e não organicamente, criando novas marcas, produtos, entrando em novos mercados.

Era esse o plano para a Kraft Heinz, que há um ano fez uma oferta pelo controle da gigante de bens de consumo Unilever. Mas a oferta foi prontamente rechaçada, e a companhia se viu obrigada a avançar sozinha. Não tem dado muito certo.

Um relatório do Deutsche Bank revela que em 2017 a empresa perdeu dinheiro e volume de vendas em nove de suas dez principais categorias, com destaque negativo para os três carros-chefe, as marcas Kraft, Heinz e Planters.

A boa notícia para o 3G é que, para 2018, a rentabilidade deve se manter elevada. Se está mais difícil cortar perto do osso, a companhia vai se beneficiar de uma inflação sob controle para matérias-primas e de uma reforma tributária que deve aliviar o pagamento de impostos nos Estados Unidos.

Some-se isso a um desempenho ruim na bolsa recentemente, e a empresa que nos últimos anos vinha sendo negociada com um prêmio pelo investidores agora é considerada barata na bolsa.

Dos 19 analistas que acompanham a Kraft Heinz, 14 recomendam a compra das ações, e nenhum recomenda a venda. O Deutsche Bank fixou o preço alvo em 84 dólares, quase 20% acima dos atuais 72.

Ainda assim, não seria o suficiente para se recuperar dos terríveis últimos 12 meses, quando as ações recuaram 20% ante uma alta de 22% do índice Dow Jones e de 13% do S&P 500.

Em apresentação a investidores na noite de ontem, o presidente da Kraft Heinz, o brasileiro Bernardo Hees, voltou a dar pistas de que a empresa está pronta para aquisições e para expansão do portfólio mundo afora. Seria uma resposta bem ao estilo 3G para os desafios que cercam a companhia.