Números da Gol crescem, mas companhia mantém prejuízo

Em número de clientes transportados, a companhia aérea cresceu 2,3% em relação ao mesmo período do ano anterior e mantém a liderança

São Paulo – A Gol está mantendo seu foco no mercado internacional, no segmento corporativo e m receitas auxiliares e os números mostram que a estratégia tem dado certo. No entanto, a desvalorização cambial levou ao prejuízo de 672,7 milhões de reais no primeiro trimestre de 2015.

Em número de clientes transportados, a companhia aérea cresceu 2,3% em relação ao mesmo período do ano anterior e mantém a liderança

A estratégia de aumentar as vendas para clientes corporativos deu resultado: o segmento cresceu 14,2% no trimestre. Com isso, a Gol lidera o mercado com participação de 31%.

A companhia investiu, nos últimos meses, em tecnologia para o time comercial e parcerias com agências de viagem exclusivas para o segmento, segundo o vice-presidente de marketing e vendas, Eduardo Bernardes.

As receitas auxiliares, outra aposta para o crescimento da empresa, foram “um fator importante para mitigar a queda na receita”, afirmou Paulo Kakinoff, presidente da Gol, em coletiva para jornalistas.

O segmento cresceu 33% no período e sua participação nas receitas totais subiu de 8,4% para 11,1%. O objetivo é que as receitas auxiliares componham de 14% a 15% do faturamento total em até 3 anos.

As operações de carga receberam um novo fôlego com a inauguração do terminal de cargas no aeroporto de Congonhas, São Paulo, além da parceria com a Air France e KLM.

Pequenos luxos também ajudaram as receitas da companhia aérea. Os assentos GOL+ Conforto, um pouco maiores e mais agradáveis, estão agora em 100% da frota de aviões. A distribuição de produtos dentro da aeronave decolou: são mais de 20 mil produtos por dia.

Prejuízo

Com tudo isso, o lucro operacional cresceu 6,5%, chegando a 9,4 milhões de reais, e as receitas subiram 0,5%, para 2,5 bilhões de reais nos três primeiros meses do ano.

Ainda assim, a empresa relatou prejuízo de 672,7 milhões de reais no trimestre, marcando o 13º trimestre de resultados negativos. O resultado é explicado pela desvalorização do câmbio, de 774,1 milhões de reais.

No entanto, Kakinoff afirma que esse prejuízo tem efeito apenas contábil e que a companhia continua com um caixa forte, de 2,4 bilhões, suficiente para enfrentar um cenário ainda mais desafiador que vem pela frente. 

“Nossa solidez financeira é o que nos dá segurança para atravessar o inverno econômico, que será muito mais rigoroso que as projeções mais pessimistas tinham apresentado”, falou o presidente.

Segundo ele, o segundo trimestre é, historicamente, o mais adverso para o setor, como um todo. A empresa irá encarar quedas no preço das tarifas e nas demandas, de acordo com o presidente.