Nova York tem boom de torres de luxo para multimilionários

Com vendas recordes antecipadas, as torres atraem compradores locais e estrangeiros vindos da América do Sul, Oriente Médio, China e Rússia

Nova York – Apesar da crise econômica e financeira que ainda atinge várias partes do mundo, incluindo os Estados Unidos, a Big Apple sabe como se reinventar e continua sendo um mercado forte, com um novo boom na construção de torres de apartamentos de luxo para multimilionários.

Com vendas recordes antecipadas, as torres atraem compradores locais e estrangeiros vindos da América do Sul, Oriente Médio, China e Rússia.

“O mercado de luxo se recuperou na cidade de Nova York a preços ainda mais altos que em seu anterior boom. A estabilidade do mercado nova-iorquino atrai muitos compradores”, disse à AFP, Jeff Dvorett, encarregado do projeto One57, uma torre situada no centro de Manhattan, ao sul do Central Park.

Lançada em dezembro de 2011, 70% da One57 já tem compradores, segundo Dvorett, que explicou que, uma vez que a venda de todos os apartamentos for completada, será alcançada a cifra de 2 bilhões de dólares.

Na One57, de 90 andares, projetada pelo premiado arquiteto francês Christian de Portzamparc, foram vendidas duas coberturas entre 90 e 100 milhões de dólares, o que seria um recorde para uma residência em Manhattan.

Localizado em um bairro diametralmente oposto, Tribeca, no sul de Manhattan, a torre 56 Leonard apresenta números similares, com 75% vendida em apenas três meses, de um total de 145 apartamentos, com os quais espera-se obter mais de 1 bilhão de dólares, informou à AFP, Elizabeth Unger, diretora de vendas do grupo Corcoran, líder em desenvolvimento imobiliário de luxo.


“O êxito e a velocidade das vendas do 56 Leonard estão batendo recordes. Em dois meses, 50% das residências estavam vendidas por mais de 600 milhões de dólares. Agora, três meses depois, vendemos 75%”, explicou.

Segundo Unger, o boom das torres de luxo se deve ao fato de “o mercado de Nova York estar em uma situação de escassez, em particular para um produto novo único e superior”.

Além disso, disse, é preciso levar em conta as melhorias na cidade sob a administração do multimilionário prefeito Michael Bloomberg, no poder desde 2002 e cuja gestão permitiu “investimentos sem precedentes” e “progressos espetaculares em comércio e infraestrutura”.

De acordo com o site CityRealty, o número de condomínios em Manhattan com apartamentos a preços maiores que 15 milhões de dólares passou de 33 em 2009 a 49 este ano.

Na rua 18, no bairro de Chelsea, uma torre construída pelo arquiteto Ralph Walker em 1926 para uma das centrais telefônicas de Nova York foi transformada em 47 apartamentos de luxo. O mais caro deles será posto à venda, em breve, por 55 milhões de dólares.

Outro apartamento da Walker Tower de cerca de 300m² com dois quartos e um terraço com vista para o Empire State foi adquirido recentemente por 14 milhões de dólares.

Mas o que estas torres oferecem para custar tanto?


O vice-presidente da Extell Development Company, Dvorett, disse, sobre a One57, que “os compradores estão buscando a mais alta qualidade: espaços habitacionais refinados, serviços hoteleiros de luxo pelo Park Hyatt e vistas do Central Park e os arranha-céus de Nova York”.

Já Elizabeth Unger argumenta que se trata de clientes “experientes e informados que reconhecem a qualidade, a atenção ao detalhe e a construção excepcional”, além de apreciar “o design moderno e a inovação arquitetônica”.

No caso do 56 Leonard, um projeto de 60 andares, a atração é colaboração entre o escultor indiano-britânico Anish Kapoor – que instalará ali sua primeira obra pública em Nova York – e o prestigiado grupo suíço de arquitetos Herzog & de Meuron.

Unger informa que a reputação dos designers ajudou a conquistar compradores de diferentes partes do mundo, “França, Reino Unido, Brasil e China”, apesar da maioria ser de Nova York.

Elliot Joseph, um dos promotores da Walker Tower, acrescenta uma informação surpreendente: “neste nível a maioria dos compradores pagam em dinheiro”.

Outro projeto, 432 Park Avenue, busca se transformar, a partir de 2015, no imóvel residencial mais alto do continente americano com sua torre de 426 metros projetada pelo arquiteto uruguaio Rafael Viñoly.

Após seu lançamento em março, os promotores da 432 Park Avenue, situada no centro de Manhattan, arrecadaram, em pouco mais de dois meses, cerca de 1 bilhão de dólares em vendas de apartamentos, segundo a assessoria de imprensa.

Com apartamentos cujos preços variam entre 7 e 95 milhões de dólares, a “432 Park Avenue se transformará rapidamente em um dos endereços mais prestigiados de Nova York e dará uma nova dimensão à famosa linha do horizonte de Manhattan”, afirma Avi Shemesh, co-fundador e presidente do CIM Group, promotor do projeto.