Notas baixas

Um especialista questiona o mito do MBA

Ocanadense Henry Mintzberg — professor da Universidade McGill, em Montreal, e do Insead, na França — estuda há anos o impacto real que executivos com MBA causam aos negócios. Recentemente ele publicou, juntamente com Joseph Lampel, da Universidade de Nova York, o artigo MBAs as CEOs (MBAs como CEOs). Nele, os autores citam análises feitas com base em listas como a dos Executivos Mais Admirados, da revista Fortune, e livros como Inside the Harvard Business School (Por dentro da Harvard Business School), de David Ewing. A principal constatação: a realidade das aulas de MBA é muito diferente da realidade dos escritórios. “Fingir que gestores podem ser formados numa sala de aula é, na melhor das hipóteses, um erro”, afirmam Mintzberg e Lampel. “Na pior, é disfuncional.” A seguir, algumas críticas formuladas por eles:

Dificuldades na execução da estratégia, e os chamados “problemas ligados a pessoas” costumam atormentar executivos. Essas questões são raramente abordadas em programas de MBA.

Os cursos estimulam o desenvolvimento de profissionais individualistas e autocentrados. Isso vira um problema nas empresas, onde boa parte do trabalho precisa ser feito em equipe.

O foco em estudos de casos, dado pela maioria das universidades, não ajuda no aprendizado da tomada de decisões. “Os alunos recebem 20 páginas sobre uma empresa que não conhecem e têm de sugerir estratégias no dia seguinte”, afirmam. “A prática da gestão exige bem mais que isso.”

Os cursos de MBA foram criados nos Estados Unidos em 1908. A última revisão profunda pela qual passaram aconteceu em 1950.