Netshoes volta a encolher, e em breve terá que enfrentar a Amazon

Varejista anunciou recuo de vendas e perda de margem no segundo trimestre. A dúvida é como os investidores vão reagir

Trimestre após trimestre, os balanços da Netshoes mostram que a vida está dura para a maior varejista online de artigos esportivos do país. Nesta quinta-feira a companhia divulgou novo recuo nas vendas trimestrais, de 2,5%, para 449 milhões de reais. A margem bruta, um número decisivo no varejo online, que mede a capacidade da empresa de efetivamente ganhar dinheiro com a venda dos produtos, caiu de 33,1% para 30,6% em 12 meses. “Se não melhorarem esse percentual, fica muito difícil eles caminharem para o lucro”, diz um executivo do setor.

Entre os motivos apresentados para a queda a empresa cita dois fatores sobre os quais não tem nenhum controle: a greve dos caminhoneiros e um inverno mais quente que o normal, o que costuma afetar a venda de roupas. Segundo a Netshoes, esses eventos afetaram não apenas as vendas, como a margem. As vendas internacionais, que poderiam compensar, caíram 8,3% no trimestre, para 49 milhões de reais.

A dúvida é como os investidores vão reagir aos resultados. As expectativas em baixa, neste momento, são uma espécie de alento para a companhia. A previsão era de recuo de mais de 5% no faturamento (pior que o divulgado, portanto) . Nesta quinta-feira as ações da companhia, negociadas nos Estados Unidos, subiram 6%.

Na última apresentação de resultados, a Netshoes decepcionou de tal forma seus investidores que suas ações caíram 42% no dia seguinte. No último ano, as ações da empresa recuaram 84,82%, e o valor de mercado é atualmente de 92 milhões de dólares, muito menor do que os 376,19 milhões do IPO no começo do ano passado.

Na última apresentação do balanço aos investidores, Marcio Kumruian, presidente e fundador da Netshoes, afirmou que o desempenho no trimestre “reflete, em parte, o ambiente de consumo no Brasil, que ainda não acompanha o ritmo lento de melhoria do clima macroeconômico.” Kumruian costuma dizer que não está em uma corrida de 100 metros, mas em uma maratona.

Em relatório nesta quinta-feira, Kumruian reforçou que segue buscando uma estratégia de crescimento mais moderada com “o foco de alcançar a lucratividade”. Entre as medidas que julga importantes para sair do vermelho estão uma redução no ciclo do inventário em 17 dias e uma reestruturação na dívida bancária, com amortização de 108 milhões de reais.

A companhia também vendeu sua operação no México e, segundo executivos do setor, tenta vender a operação na Argentina. O que já está difícil pode ficar ainda mais: segundo EXAME antecipou, a americana Amazon vai começar a vender roupas no Brasil. A empresa está negociando com varejistas de roupas interessados em vender em seu market place e pode estrear já na semana que vem.

É uma pedra a mais no tortuoso caminho da Netshoes.

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