Netflix passa YouTube e se torna serviço de vídeo online mais assistido

O YouTube era líder no consumo de vídeo digital até 2017 nos Estados Unidos, mas foi ultrapassado pela Netflix, segundo a consultoria eMarketer

Um estudo da consultoria especializada em mídia eMarketer divulgado nesta semana aponta que, nos Estados Unidos, a Netflix já ultrapassou o YouTube como plataforma de streaming que os adultos passam mais tempo assistindo por dia.

A virada veio em 2018, mas ainda havia quase um empate técnico entre os dois serviços em tempo de tela. Agora, a liderança da Netflix no quesito tempo de uso deve se consolidar neste fim de 2019. Os adultos nos EUA gastaram em 2018 cerca de 23 minutos por dia assistindo a conteúdos na Netflix, ante 22 minutos no YouTube. Neste ano, a previsão da eMarketer é que os americanos gastem 27 minutos diários na Netflix e 23 no YouTube.

Ainda segundo a consultoria, é na Netflix que os americanos gastam 27% de seu tempo assistindo a vídeos online, enquanto o YouTube responde por 23,4% do tempo, segundo as estimativas para 2019. Vale lembrar que as opções não são excludentes: um mesmo usuário pode assistir conteúdos em ambos os serviços no mesmo dia, devotando algum tempo para cada um.

O YouTube liderava a exibição de vídeo online até o ano passado. Mas, desde 2017, a Netflix conseguiu aumentar em 20% ao ano o tempo de tela de seus usuários. No YouTube, o crescimento do tempo de tela foi de 7% em 2017 e deve fechar 2019 com alta de somente 4,5%.

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A eMarketer não traz números específicos sobre tempo de tela dessas plataformas no Brasil. Contudo, no país, o YouTube ainda impera em número de usuários. A Netflix deve fechar 2019 com 28,7 milhões de usuários, assinantes ou compartilhando contas, ante 96,7 milhões no YouTube, segundo as projeções da eMarketer. O serviço de vídeo do Google chega a incríveis 46% da população brasileira.

Em número de assinantes, a Netflix tem mais de 8 milhões de assinantes no Brasil, mas a empresa não revela números mais detalhados sobre o país.

Enquanto isso, em 2021…

Apesar do crescimento inegável da Netflix e do formato de ver filmes e séries por streaming que a empresa ajudou a criar, os próximos anos devem ser um pouco menos fáceis. Os serviços de streaming Disney+, da Disney, e o Apple TV+, da Apple, foram lançados em novembro deste ano nos Estados Unidos (o Disney+ ainda não chegou ao Brasil, e só deve estrear por aqui no segundo semestre do ano que vem, segundo previsões não-oficiais).

Por esse aumento da concorrência, a eMarketer projeta que o crescimento do tempo do usuário na Netflix, ao menos nos Estados Unidos, vai desacelerar nos próximos anos. De uma alta de 16% no tempo de tela em 2019, a Netflix deve cair para crescimento de apenas 6,1% em 2020 e 3,7% em 2021. No YouTube, o tempo de uso vai crescer somente 3,8% em 2020 e 3,5% em 2021.

“Embora os americanos estejam gastando mais tempo assistindo à Netflix, a atenção das pessoas vai ficar mais dividida à medida em que novos serviços de streaming surgem”, escreveu em nota o analista Ross Benes, da eMarketer.

Por enquanto, a empresa reinava sozinha no mercado de streaming. Embora o YouTube também tenha filmes para locação e tenha lançado um espaço de conteúdo próprio com assinaturas (o YouTube premium), a plataforma do Google costuma ser espaço para vídeos mais curtos e de produtores independentes, e não filmes ou séries.

Agora, a Netflix terá de concorrer com outras produtoras de conteúdo que decidiram, em vez de licenciar seus produtos para a Netflix, lançar seu canal próprio de contato com o consumidor.