Natura corta 200 postos

Número exato de demitidos será conhecido na próxima semana

A Natura, a maior empresa de venda direta de cosméticos do país, iniciou nesta semana um processo de demissões. Segundo informou à EXAME o presidente da empresa, Alessandro Carlucci, serão extintos cerca de 200 postos de nível administrativo. O executivo fez questão de frisar, porém, que o número de profissionais demitidos será menor por dois motivos. O primeiro é que muitas das posições já estavam vazias. Além disso, cerca de 70 novos postos serão criados, o que dará margem para muitas realocações – processo que já está em curso nos últimos dois dias. Por isso, Carlucci afirmou que o número exato de funcionários demitidos só será conhecido no final da próxima semana.

As demissões, de acordo com Carlucci, não tem qualquer relação com a crise financeira atual. Elas são fruto de um longo processo de mudança que teve início no final de 2007, e que vive agora a sua segunda etapa. “Infelizmente desligaremos algumas pessoas. Mas em uma reestruturação como a que estamos vivendo, você tem de abrir mão de alguns colaboradores”, diz Carlucci. Com a mudança, a Natura estará organizada em nove unidades de negócio – quatro delas baseadas em marcas e cinco em em regiões do país. “O objetivo é fazer com que a grande empresa que é a Natura se transforme em uma série de pequenas companhias. Assim a gestão estará mais próxima do cliente”. 

Além da proximidade maior com o que o executivo chama de “pontas” do negócio, a companhia também quer aumentar a velocidade das decisões com a redução dos níveis hierárquicos. Em algumas áreas, o número de níveis cairá de seis para quatro. (O crescimento fez com que a companhia passasse de um total de 120 gerentes para 400 entre 2003 e 2008. No mesmo período, o grupo de diretores cresceu de 8 executivos para 29 – agora serão 25.) “O poder se distanciou do dia-a-dia do negócio”, afirma Marcelo Cardoso, que assumiu o cargo de vice-presidente de desenvolvimento organizacional da Natura em março deste ano. Egresso da consultoria de RH e recolocação DBM e também com uma passagem pela GP, Cardoso foi o responsável por levar para a Natura, há cerca de seis meses, a Gradus. A consultoria, que ganhou notoriedade no mercado ao atuar na reestruturação de várias empresas da GP, foi quem ajudou a empresa a preparar o terreno para as mudanças que estão em andamento. “Queremos definir mais claramente as responsabilidades, diminuir retrabalhos e tirar redundâncias”, diz Carlucci. A receita bruta da Natura no último trimestre foi de 1,2 bilhão de reais, um resultado 18,5% superior ao do mesmo período do ano passado. O resultado EBITDA foi de 227,3 milhões de reais, contra 179,1 milhões no terceiro trimestre de 2007.