Não se vê;oportunidade na crise;sem preparo, diz executiva

<I>Amalia Sina, presidente executiva da Walita, revela em seu quarto livro que não basta encarar a crise como janela de oportunidade. É preciso preparo ativo para tirar proveito das crises e desenvolver essa habilidade até conseguir antecipar os terremoto

“Crise” em ideograma chinês é igual a “oportunidade”. Em seu novo livro “Crise & Oportunidade” (editora Saraiva), Amalia Sina, presidente executiva da Walita e vice-presidente para a América Latina da Philips, mostra que é na hora da instabilidade que podem surgir rumos novos e promissores. Compreender isso, entretanto, não é suficiente para uma empresa. Uma permanente e ativa vigilância das tendências e riscos do mercado deve ser nutrida pela liderança eficiente (leia também reportagem da revista EXAME sobre exemplos, como o de Amalia, da atuação feminina no mundo dos negócios).

O preparo para as crises deve ser uma rotina corporativa, portanto. Para a autora é fundamental que as empresas tenham um detalhado planejamento do que fazer em momentos de crise e formem equipes aptas a lidar com os terremotos corporativos – uma “brigada” de alto nível de comprometimento, para atuar no front na hora da crise.

Mas existem dois obstáculos para isso, diz Amalia no livro que será lançado hoje (20/9). Primeiro, há uma diferença entre instrução incorporada e instrução meramente sistematizada em manuais. “Ter manuais não garante que as pessoas os conheçam”, diz Amalia. “Se ficarem em dúvida sobre como proceder, é porque o método de conscientização não foi eficaz.”

A segunda dificuldade é a crescente limitação de tempo e recursos humanos que mobiliza toda a equipe para tarefas imprescindíveis e muitas vezes inadiáveis, impedindo que sobrem energias para “o eventual”, para aquelas crises que talvez aconteçam. Mas vale a pena vencer a inércia natural e desenvolver essa atitude. Se a empresa for persistente, “chegará um tempo em que terá massa crítica suficiente para adiantar-se, como vanguarda”.