Não chame o ladrão

Os oito hábitos das empresas que são fraudadas

Em boa medida, as fraudes ocorrem por falta de percepção e de ações proativas dos gestores. Pela experiência da GBE Peritos & Investigadores Contábeis com centenas de casos de fraude, podemos perceber oito comportamentos típicos de donos e executivos que fragilizam intensamente as defesas da empresa contra crimes praticados por funcionários. Veja quais são esses comportamentos de risco:

1. “MINHA EMPRESA NUNCA SERA ROUBADA”

De forma geral, o empresário fraudado acredita que roubos e fraudes só acontecem nas outras empresas. Não se empenha em verificar se sua contabilidade está correta, se as operações estão sendo registradas nem em conhecer pessoalmente fornecedores e clientes.

2. “SE A DENUNCIA É ANONIMA, IGNORO”

As denúncias anônimas vêm de quatro situações:

1) há um rumor de fraude na empresa;

2) um funcionário honesto denuncia um desonesto;

3) clientes ou fornecedores que não participam mais do esquema de fraude o denunciam;

4) um funcionário “quase honesto” denuncia um desonesto. (Neste caso, ele quer saber como a empresa procede. Se não for tomada nenhuma atitude, ele possivelmente será o próximo fraudador.) Das quatro situações, três envolvem a existência de fraude. Por isso, convém não ignorar denúncias.

3. “DEMITIR O FRAUDADOR RESOLVE”

O crime pode estar sendo perpetrado há muito mais tempo do que se imagina, contando inclusive com a ajuda de outros colaboradores da empresa. Não basta demitir, tem de saber como, quando e quem demitir.

4. “A AUDITORIA EXTERNA FAZ TUDO”

O ideal é que as auditorias externa e interna trabalhem de forma integrada, aplicando programas de prevenção. Casualmente, a auditoria externa até pode identificar um crime corporativo, mas dificilmente seus profissionais estarão aptos a lidar com o problema. Auditores não estão preparados para enfrentar eventuais riscos à sua segurança pessoal. Portanto, não estão habilitados a trabalhar com alguns tipos de crimes corporativos.

5. “PROGRAMAS DE GESTÃO SÃO SEGUROS”

A tecnologia, em mãos erradas, é uma ótima ferramenta para a consolidação de crimes. Para funcionários à vontade com o ambiente tecnológico, manipular sistemas de folha de pagamento ou de contas a pagar e receber pode ser tarefa trivial.

6. “RELATORIOS CONTABEIS SO CUMPREM NORMAS TRIBUTARIAS”

Uma das deficiências mais comuns nas empresas é a falta de habilidade para identificar distorções ou sinais de fraude em relatórios contábeis. Um relatório bem elaborado e uma análise minuciosa são medidas que funcionam como um diagnóstico para combater o surgimento de qualquer ato ilícito.

7. “RH NÃO PRECISA DE QUALIFICAÇÃO ESPECIFICA”

A área de recursos humanos é fundamental no processo de prevenção às fraudes. É esse setor que tem a função de “filtrar” a contratação de um possível fraudador. A empresa deve contar com profissionais aptos para realizar pesquisas sobre os antecedentes profissional e pessoal dos candidatos, cruzando informações apresentadas no currículo com dados encontrados nesses levantamentos. Além disso, é preciso constantemente avaliar o grau de satisfação dos colaboradores, investir no aperfeiçoamento profissional e oferecer auxílio em casos de problemas pessoais. Nossa experiência revela que um funcionário insatisfeito pode se tornar um fraudador no futuro.

8. “DESRESPEITO A NORMAS ÉTICAS NÃO É SINAL DE FRAUDE”

Com o tempo e com o esquema de corrupção já implantado na organização, muitos fraudadores relaxam no ocultamento de ações fora dos padrões éticos empresariais. Atitudes exibicionistas também podem ser a pista para a descoberta de caixa 2, subfaturamento e tantos outros crimes.

  • MARCELO ALCIDES CARVALHO GOMES, contador, sócio-diretor da GBE Peritos & Investigadores Contábeis