Na Vivo, o primeiro balanço pós-guerra de preços

ÀS SETE - Os números da empresa de telefonia móvel devem mostrar uma desaceleração no crescimento da receita de serviços para aparelhos móveis

Há pouco mais de dois anos a líder em telefonia Telefônica Vivo se gabava de não baixar os preços na briga por mais clientes no Brasil. “O foco da Vivo é valor, não volume”, chegou a declarar seu presidente na época em uma teleconferência de resultados.

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Os números do quarto trimestre que a empresa divulga nesta quarta-feira devem mostrar que essa realidade ficou para trás.

Analistas esperam que a companhia mostre uma desaceleração no crescimento da receita de serviços para aparelhos móveis, que atualmente representa quase 60% do faturamento da empresa.

“Embora a desaceleração na receita com serviços móveis possa ser parcialmente explicada por uma inflação mais baixa, acreditamos que o aumento da concorrência no mercado também está desempenhando um papel”, afirmam analistas do banco Credit Suisse em relatório.

A expectativa é de que a receita com serviços mobile cresça 4,7% no último trimestre (na comparação anual), ante os 6,2% de crescimento no terceiro trimestre. A competição pela oferta de pacotes de internet se tornou muito mais intensa desde meados de 2017 e obrigou a Vivo a reduzir os preços significativamente.

Na época, as concorrentes Claro e TIM lançaram planos pós-pago de 10 a 15 GB por 150 reais, forçando a Vivo a adotar preços similares. Em 2016, planos pós-pagos da Vivo custavam pelo menos 190 reais. “Em nossa visão, clientes pagando mais de 150 reais por mês vão se tornar gradualmente mais escassos”, afirma o relatório do Credit.  

Mesmo com essas dificuldades, o lucro da empresa deve crescer 43,3% no último trimestre, para 1,74 bilhão de reais, e totalizar 4,83 bilhões de reais no ano, ante os 4,08 bilhões de 2016. Crescer será cada dia mais difícil.

Mas se conseguir ganhar mais com menos, a empresa terá dado uma mostra de eficiência. Não é pouco para um setor que acumula dificuldades no Brasil.