Na Igreja Católica, o assunto desta segunda é caridade e lucro

A 3ª Conferência de Investimento de Impacto do Vaticano, acontece até quarta-feira, para falar sobre investimentos que tragam impacto social

Se a Bíblia afirma que não é possível conciliar Deus e o dinheiro, a Igreja bem que tenta: o maior exemplo está na 3ª Conferência de Investimento de Impacto do Vaticano, que acontece até quarta-feira, misturando investidores, executivos, bispos e padres para falar sobre investimentos que tragam impacto social, ambiental e, claro, ganhos financeiros.

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Filantropia e investimentos financeiros sempre foram dois caminhos que andaram em paralelo dentro da Igreja, mas que o Papa Francisco tentou transformar em dois lados de uma mesma moeda, durante seu pontificado. Em 2014, durante a primeira Conferência no Vaticano, o Papa chamou os cristãos para redescobrir “esta preciosa e primordial união entre lucro e solidariedade”. De lá pra cá, instituições vinculadas à Igreja com algum capital para investir — como os Jesuítas ou o fundo de investimentos Ascension — passaram a destinar uma parte de seu capital a fundos que tivessem algum tipo de impacto.

Em 2016, 248 bilhões de dólares estavam alocados em fundos que investiam em projetos vinculados a saúde, mudanças climática e imigrantes e refugiados, por exemplo — temas que devem ser recorrentes no evento no Vaticano nos próximos dias. A cifra era mais do que o dobro do que dois anos antes, quando a primeira Conferência foi realizada. A Igreja tem cerca de 1 bilhão de dólares aplicados a projetos desse tipo, mas com influência e o manejo dos ativos em suas mãos, pode mudar o mercado de investimentos de impacto.

O receio de alguns círculos no Vaticano é que lucrar com a filantropia possa alterar as dinâmicas de caridade na Santa Sé, ir de encontro aos preceitos morais de ajuda aos necessitados e afastar a Igreja dos beneficiários. Para eles, as coisas deveriam continuar separadas: filantropia de um lado, investimentos, de outro.