Empresários lançam pacto contra a corrupção

Documento que será apresentado amanhã propõe que signatários adotem controles rigorosos para evitar práticas antiéticas no relacionamento com o governo

Nesta sexta-feira (9/12), um grupo de entidades ligadas à transparência corporativa lançará o Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção. Idealizado pelo Instituto Ethos, Patri Relações Governamentais, Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crimes (Unodc), Comitê Brasileiro do Pacto Global e pela Fundação Avina, o pacto espera a adesão voluntária de empresas que pretendam estabelecer relações mais transparentes e éticas com o poder público.

Os signatários se comprometerão a coibir qualquer prática de corrupção ou ações antiéticas em suas organizações, por meio da implantação de ferramentas de controle e supervisão das operações, elaboração de códigos de ética e de conduta, entre outros. Segundo Ricardo Young, presidente executivo do Instituto Ethos, as empresas não terão apenas ganhos sociais ao participar. “Quem aplicar as recomendações do pacto estará se prevenindo dos altíssimos custos de um eventual desgaste de imagem, fraudes internas ou processos judiciais”, diz.

Outro mérito do projeto, segundo Young, é mostrar para as empresas que elas não estão sozinhas no combate à fraude ou ao achaque de funcionários públicos mal intencionados. “Muitas vezes, as empresas se sentem isoladas quando querem combater a corrupção”, afirma. O pacto também espera ser um modo de conhecer melhor as práticas de corrupção, a fim de precaver as empresas. Uma das possibilidades, segundo Young, é criar uma ouvidoria para receber denúncias e acumular dados sobre práticas ilícitas.

Às vésperas de um ano eleitoral e com o país escaldado pelos escândalos de financiamentos irregulares de campanha, o documento também proíbe seus signatários de contribuir “para campanhas eleitorais visando a obtenção de vantagem de qualquer espécie ou com o objetivo de evitar perseguições ou preterições ilegais.” A minuta do pacto recomenda que as empresas contribuam somente dentro dos limites da lei, e confiram o efetivo registro das doações na prestação de contas dos partidos junto à Justiça Eleitoral.

Os recentes escândalos políticos, aliás, são mais um motivo para a mobilização empresarial. Para Young, ficou claro para a sociedade que a corrupção é tão “endêmica no país, que ameaça a própria democracia. E, sem democracia, não tem livre mercado”, diz.

O documento permanecerá disponível para consulta pública por 90 dias, período em que os organizadores do pacto esperam receber a adesão das empresas. De acordo com a assessoria de imprensa do Instituto Ethos, não há previsão de quantas companhias assinarão o documento. A minuta será encontrada nos sites dos idealizadores: www.ethos.org.brwww.patri.com.brwww.onu-brasil.org.brwww.pnud.org.brwww.pactoglobal.org.br .