Globalização exige novo modelo de educação para executivos

Escolas precisam formar profissionais comprometidos com metas de longo prazo, responsabilidade social e crescimento sustentável

O tradicional modelo de liderança corporativa, baseado em resultados financeiros de curto prazo, não atende mais às necessidades da globalização dos negócios. A conclusão é da organização não-governamental Iniciativa de Liderança Globalmente Responsável (ILGR), fundada em 2004 por 20 membros. Apoiada pela Organização das Nações Unidas, a ONG inclui importantes escolas de administração, como a London Business School, além de companhias públicas e privadas, como a IBM e a Petrobras.

Segundo a ILGR, os gastos mundiais com educação de executivos chegam a 2,2 trilhões de dólares por ano. Apesar da cifra impressionante, as escolas de administração não têm sido capazes de formar alunos comprometidos com a ética e a responsabilidade social esperada pela ONG, o que desemboca em escândalos corporativos e fraudes, como a Enron, Parmalat e Tyco. “Construímos um projeto estranho, quase inimaginável para a educação [de executivos], que distorce aqueles que são sujeitos a ela e os transforma em criaturas com mentes desequilibradas, corações de pedra e almas sem vida”, afirma Harold Leavitt, professor da Universidade de Stanford.

No estudo “Liderança Globalmente Responsável: um Apelo ao Engajamento”, a ONG critica frontalmente gurus da administração, como Milton Friedman, para quem o maior compromisso de uma companhia deve ser o de gerar o máximo de lucro aos acionistas. “Reduzir a atividade empresarial e os elementos que lhe são fundamentalmente relacionados como a iniciativa, a inovação e o progresso material a termos estritamente financeiros, não faz justiça às amplas responsabilidades e ao alcance das empresas”, afirma o estudo.

Para o ILGR, a globalização significa que o ambiente de negócios está muito mais complexo. Cada decisão deve considerar não apenas os interesses internos da companhia como o lucro e a distribuição de dividendos aos acionistas mas também a interação com outros agentes, como governos, comunidades locais e o meio ambiente.

Por isso, a reformulação do ensino de administração deve incorporar a responsabilidade social corporativa a todas as disciplinas, e não colocá-la como uma matéria à parte e, geralmente, opcional dos currículos, segundo o estudo. “A lucratividade é uma meta necessária, mas a lucratividade desprovida de uma prestação de contas às necessidades da sociedade traz à tona questões sobre como entendemos o comportamento e os objetivos das empresas”, afirma o ILGR.