Mulher no leme

Celina Torrealba Carpi ajudou o grupo Libra, fundado pelo avô, a buscar outros horizontes além da navegação

Numa manhã ensolarada de janeiro, uma Cherokee estaciona na porta de um hotel em Copacabana. Depois de entregar as chaves para o manobrista, a ocupante do veículo uma mulher pequena, de cabelos pretos cortados bem curtos cruza o salão à procura do restaurante onde o café da manhã está sendo servido. Vestida com simplicidade, ela passa despercebida: uma calça de brim azul-escuro, camisa de algodão rosa-bebê, de mangas compridas, e mocassins pretos. Nos dedos, apenas a aliança de casamento. A maquiagem resume-se a um leve brilho nos lábios. Uma bolsa de couro, com as iniciais de Louis Vuitton gravadas em toda a superfície, é o único item que destoa da aparência despojada da empresária Celina Borges Torrealba Carpi.

Com um sorriso, Celina, neta do presidente e fundador do Grupo Libra, Wilfred Penha Borges, decano da navegação brasileira, aproxima-se da mesa ocupada pela reportagem da EXAME no restaurante do hotel. Pede desculpas pelo atraso de pouco mais de uma hora e diz que já tomou o café da manhã em casa. Sou de acordar muito cedo , afirma ela acomodando-se na cadeira. O atraso, diz, deveu-se a um vazamento no segundo andar da cobertura em que vive com o marido, Sérgio, e os filhos, Carlos e Sérgio, de 13 e 12 anos, na Avenida Delfim Moreira um dos pontos mais valorizados da orla carioca. Engenheira civil formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Celina diz que gastou parte da manhã tentando ajudar o encanador a descobrir a origem do vazamento que há dias tumultuava sua casa. Antes que começasse a quebrar tudo à frente, achei melhor trocar umas idéias com ele , diz. Queria agregar um pouco de técnica para evitar que operasse no piloto automático.

Conversar. Trocar idéias. Amparar a argumentação em fundamentos técnicos. Nada muito diferente da maneira como diz ter procurado agir desde que começou a trabalhar na empresa controlada pela família aos 23 anos. Wilfred, o seu avô, hoje prestes a completar 90 anos, criou o grupo há mais de meio século a partir de uma empresa de navegação que transportava tecidos e outros suprimentos para a África do Sul durante a Segunda Guerra Mundial. Agrupadas hoje em três ramos de negócios distintos transporte marítimo, transporte fluvial e operação de terminais portuários e logística , as empresas do grupo Libra faturaram 430 milhões de reais no ano passado.

Num meio em que as saias são raridade, essa carioca de 35 anos, mãe de dois filhos adolescentes, conseguiu o que é visto como uma quase proeza. Impôs-se como uma figura expressiva de um setor predominantemente masculino e se tornou um dos nomes mais conhecidos da nova geração de empresários do Rio. Celina é um nome de respeito no meio marítimo e portuário , diz David Lorimer, presidente da Datamar Consultores Associados, que presta serviço para as principais empresas do setor. E como foi assumir o leme num ambiente em que executivas raramente dão as cartas? Esse é um verdadeiro Clube do Bolinha, mas nunca senti restrições por ser mulher , afirma Celina. Ela pode não ter percebido, mas chegou a receber alguns olhares atravessados no início de sua carreira. Um deles partiu do secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Rio de Janeiro, Wagner Victer. Quando a vi pela primeira vez, durante uma palestra sobre adequação ambiental para navios, anos atrás, não acreditei muito naquela mulher baixinha e magrinha , diz Victer, na época gerente de construção da Petrobras. O avô Wilfred, que ainda hoje comparece todos os dias a seu escritório, no centro do Rio, também ressalta o perfil discreto da neta. Ela é de uma simplicidade impressionante. Quem a vê não dá nada por ela , diz. Com o passar do tempo acrescenta Victer , ela foi conquistando o seu espaço e cativando as pessoas com sua competência .

Entre os concorrentes, Celina é vista como alguém que soube driblar a personalidade reservada e movimentar-se com facilidade em todas as esferas, inclusive na área de governo. Ela se iguala a Maria Sílvia , diz Geraldo Ferreira de Sá, presidente do grupo Multiterminais, numa referência à executiva que comanda a Companhia Siderúrgica Nacional. Ambas são competentes e fazem um sucesso danado. Celina é articulada, demonstra conhecer as especificidades do setor e consegue prender a atenção dos seus interlocutores. Seja um jornalista numa conversa reservada, seja a platéia presente a alguma das muitas conferências que andou fazendo pelo Brasil para falar a respeito do setor de navegação e operação portuária. A capacidade de expor as idéias com clareza e defender os pontos de vista com argumentos convincentes fez com que se transformasse numa espécie de porta-voz do grupo Libra e em sua principal representante em negociações delicadas.

Precisou negociar um empréstimo na agência do Banco Mundial que financia empresas privadas? Lá estava Celina a postos, numa mesa da instituição em Washington. É raro encontrar alguém quanto mais uma mulher que conheça tão a fundo os detalhes do setor de navegação marítima , afirma o alemão Hans Peters, recentemente aposentado do cargo de principal assessor do Banco Mundial para o setor de transportes. É preciso impedir que as sobras dos recursos que formam o Fundo da Marinha Mercante sejam transferidos ao Tesouro Nacional todo final de ano? Lá estava Celina discutindo o assunto com congressistas em Brasília. Escrevemos a quatro mãos a primeira versão da Medida Provisória aprovada há poucas semanas pelo Congresso Nacional para resolver o problema , diz Victer, o secretário de Energia do Rio de Janeiro. Foi uma conquista histórica para o setor, que vai ter à disposição mais 1,5 bilhão de dólares nos próximos cinco anos para investir na área de Marinha e construção naval.

Por conta disso, Celina, apesar da natureza discreta, acabou se transformando no rosto mais conhecido do grupo Libra. Ali também trabalham seus dois irmãos, Gonçalo e Rodrigo. O primeiro é presidente do banco Boreal, o braço financeiro do grupo. Há cerca de dois anos, Celina afastou-se das funções executivas do grupo para se concentrar na tarefa de traçar as linhas estratégicas que vão definir os rumos da companhia. Junto com os irmãos, passou a ocupar uma vice-presidência no conselho de administração da Libra Participações, a holding do grupo. Eles compartilham a mesma secretária e um salão, sem divisórias, no 29o andar do Palácio Austregésilo de Athayde, um prédio da Academia Brasileira de Letras, no centro do Rio de Janeiro. Ali, onde talvez se concentre o maior número de empresas financeiras da cidade, são vizinhos do grupo Icatu, do banco Opportunity e da Merrill Lynch.

Apesar de não estar envolvida com o dia-a-dia da empresa, Celina mantém-se em contato permanente com os executivos que cuidam das três áreas do grupo. Ao contrário do que ocorre em muitas empresas, o nosso conselho de administração é muito ativo , diz ela. Temos de deliberar sobre investimentos, reestruturação dos armazéns e até mesmo acesso aos terminais nos portos. Quem acompanhou sua trajetória diz que Celina consegue se impor menos pelo sobrenome do que pela capacidade de trabalho. Depois de passar quatro anos no banco Boreal, que administra fundos de investimento, ela ocupou alguns dos principais cargos executivos da companhia. Cuidava do orçamento, da contabilidade e da execução das operações de carregamento e descarga de navios nos portos brasileiros.

Em meados da década, assumiu o timão que conduziu o grupo a uma virada estratégica. Como vice-presidente executiva responsável pela área de desenvolvimento de novos negócios, Celina levou a companhia a diversificar sua área de atuação. A busca de novas oportunidades de negócios era uma maneira de fazer frente à crise que se abatera sobre a navegação no governo Collor. Com a abertura do setor, em 1992, as companhias nacionais, até então protegidas da concorrência internacional, viram-se frente a frente com os megatransportadores estrangeiros. Instalada a concorrência, o que se seguiu foi uma queda acelerada das tarifas de transporte marítimo.

Antes da abertura, o frete de um contêiner de café entre os portos de Santos e Trieste, na Itália, saía por volta de 3 500 dólares. Hoje, não passa de 900 dólares. Uma boa notícia para os exportadores, mas difícil de ser digerida pelas empresas de navegação brasileiras, caras e ineficientes. Sem poder competir, elas começaram a fechar as portas. Na década de 80, as companhias de bandeira nacional transportavam 40% do volume das importações e exportações brasileiras. Hoje, a participação do navio de bandeira nacional no comércio externo do país anda por volta de 3%.

Para sobreviver, a Libra Navegação iniciou uma profunda reestruturação. Vendeu sua frota de navios próprios, diminuiu custos administrativos os funcionários foram reduzidos à metade , automatizou-se e passou a buscar escala mediante o aumento da carga transportada. Foi muito doloroso ter de demitir tanta gente , diz Celina, que acompanhou o processo de perto. Não eram pessoas sem nome. Convivíamos com elas todos os dias. Ao mesmo tempo em que cortava ineficiências, o grupo, com Celina à frente, passou a explorar as oportunidades de negócios que iam surgindo no ambiente mais aberto da economia brasileira.

Quando o governo decidiu privatizar os portos, Celina saiu na frente. Conseguiu arrematar o terminal 37 de contêineres do Porto de Santos, a primeira área de concessão oferecida à iniciativa privada. Desde 1998, a companhia opera também o terminal 1 do Porto do Rio de Janeiro. Três anos antes, atenta às possibilidades da logística integrada, Celina cuidou da implantação de uma companhia de navegação fluvial e de uma operadora de terminais na hidrovia Tietê Paraná. O grupo Libra possui sólida experiência na navegação de interior. Opera há quase 30 anos a Companhia de Navegação da Amazônia, a CNA, que transporta granéis sólidos e líquidos, especialmente petróleo e derivados, pelos principais rios da região.

Celina fala com entusiasmo dos novos negócios que ajudou a implantar. Gosta de ressaltar as inovações que a empresa adotou em suas operações nos últimos tempos. Caso, por exemplo, do casco duplo nas embarcações fluviais, para evitar vazamento de óleo, ou da nova geração de empilhadeiras e guindastes que multiplicaram várias vezes a produtividade nos terminais portuários sob sua responsabilidade. De fato, quem conheceu no passado as áreas arrendadas e hoje as visita não reconhece o ambiente.

O terminal 1 do Porto do Rio mais parecia um depósito de ferro velho. O lixo espalhado por todos os lados foi substituído por pátios limpos, com pequenos jardins floridos em volta. Acabou aquela imagem antiga do porto, na qual os estivadores, de sandálias havaianas, carregavam os sacos nas costas , diz Celina. A automação das operações de embarque e desembarque da carga, aliada a um melhor relacionamento com os trabalhadores do porto, permitiu ganhos de produtividade extraordinários. Antes, a movimentação média no terminal era de oito contêineres por hora. Agora, passou para 35 contêineres.

A maior eficiência acabou interferindo até mesmo na paisagem da Baía de Guanabara. Antes, era comum avistar de Copacabana uma fila de navios fundeados no mar à espera do momento de atracar no porto. Muitos chegavam ao Rio numa quinta-feira, por exemplo, e só começavam a descarregar na sexta-feira da semana seguinte. Hoje, a espera é de apenas meia hora em média. O resultado disso foi uma queda nas tarifas de operação. Celina diz que o custo de movimentação de um contêiner no terminal anda por volta de 136 dólares, contra 120 dólares em Antuérpia e 156 em Roterdã. O Rio de Janeiro tem hoje preços internacionais , afirma.

Um pouco mais lentas foram as mudanças no terminal 37 do Porto de Santos, onde a empresa investiu cerca de 50 milhões de dólares nos últimos quatro anos. A razão? O custo da mão-de-obra ali. Os sindicatos locais obrigam a contratação de 49 homens para movimentar a carga de dois porões de navio simultaneamente. Em Buenos Aires, o mesmo trabalho é feito por 14 homens. Celina afirma que há ainda um agravante em Santos. O trabalhador ali obedece a um rodízio, de acordo com uma listagem preparada pelos sindicatos. Com isso, muitos não conseguem trabalhar mais do que quatro dias por mês.

No Rio, as negociações com os estivadores, apontadores e conferencistas de carga resultaram recentemente num amplo acordo. Eles aceitaram abrir mão de cláusulas acertadas no passado que tornavam a operação nos terminais proibitiva em determinados dias e horas. Quem trabalhasse no domingo de madrugada, por exemplo, tinha direito a 800% de hora extra sobre o valor base. Resultado: as empresas deixaram de operar os navios nesse horário. Agora, a hora extra foi reduzida para 150%.

Wilfred, o avô de Celina, é um homem que já percorreu meio mundo e que começou a trabalhar num escritório aos 13 anos. Ela diz que, se tivesse de ter um guru, este seria o avô. É impressionante como ele se mantém atualizado , afirma Celina, que afirma ter herdado do avô o costume de ler os principais jornais todos os dias. Ela diz que é comum procurar Wilfred para se aconselhar. Pouco tempo atrás, foi forçada a desistir de um projeto no qual gastara uma boa dose de energia e dinheiro. A idéia era construir seis navios numa área arrendada dos estaleiros Verolme em Angra dos Reis.

Depois de três anos de estudos, ela concluiu que faltava ao grupo a escala necessária para poder concorrer com os armadores coreanos e chineses. Eles conseguiam construir a mesma embarcação por menos da metade do preço. Celina diz que o avô não via esse projeto com bons olhos. Ele vivia me dizendo: Vamos focar no nosso negócio e manter os pés no chão. Analisa bem para não dar um passo maior do que a perna .

Em 1993, Celina decidiu aprimorar o seu conhecimento de gestão. Deixou o marido e os filhos no Rio de Janeiro e foi fazer um MBA no European Institute of Business Administration, o Insead, em Fontainebleau, a 50 quilômetros de Paris. Alugou um apartamento ali e mergulhou firme nos estudos , diz o avô. Conseguiu terminar em um ano um curso que geralmente leva o dobro do tempo. A cada três meses, recebia a visita do marido, Sérgio, dono de um escritório de advocacia no Rio. Celina fala fluentemente inglês, francês, espanhol e um alemão razoável. Anos atrás, passou três meses aprimorando a língua de Goethe na cidade de Freiburgo.

Ela diz que guarda da temporada no Insead o que chama de uma das experiências mais ricas de sua vida. Na minha turma, havia pessoas de 36 países diferentes , conta. O grande mérito do curso foi ter focado no trabalho em equipe e ter mostrado a importância da diversidade. Muito do que aprendeu no curso aplicou na empresa quando retornou ao Rio. Divisórias no chão e espaços abertos para permitir melhor interação entre chefes e subordinados foram o resultado de uma das primeiras mudanças que ajudou a instituir na sede da companhia de navegação. Celina reforçou um costume que já era uma tradição na empresa investir no treinamento dos funcionários e aproveitar a prata da casa na hora de preencher os cargos de confiança. É comum ver pessoas que entram aqui como iniciantes atingir posições de comando , diz Gustavo Pecly Moreira, diretor-superintendente da Libra Terminal Rio.

Moreira é um dos cerca de dez funcionários que fizeram cursos de MBA custeados pela empresa. São freqüentes também os treinamentos na área de informática e os cursos de línguas estrangeiras. Como chefe, Celina é tida como alguém que sabe ouvir, motivar e delegar. Ela é daquele tipo que orienta e depois dá liberdade para você criar , afirma um ex-assessor direto. Um defeito de Celina? A dificuldade de administrar sua agenda. Essa é uma opinião unânime entre os que a conhecem bem. A não ser que o encontro seja de suma importância, ela está sempre atrasada, dizem seus assessores. Algumas vezes, chega a marcar dois compromissos para o mesmo horário. Esse costume, evidentemente, cria situações embaraçosas. Já houve casos em que teve de almoçar duas vezes no mesmo dia , afirma um assessor. O pior é que, com isso, temos de cortar o maior dobrado. Quando cancela alguma palestra na última hora, costuma indicar algum de nós para substituí-la.

Encarregada de pensar estrategicamente a empresa, Celina diz que tem se dedicado a tentar compreender o crescimento da Internet no país e no mundo. Aonde quer que você chegue, em qualquer roda, a conversa é sempre a mesma , afirma. Só se fala de e-commerce, e-business e IPO. Ela usa a própria Web para entender o fenômeno. Entra nos sites dos bancos de investimentos, da Microsoft e de gurus da economia como Paul Krugman, do Massachusetts Institute of Technology. Tenho uma perplexidade que gostaria de entender , diz. Queria ver um balanço consolidado dessas empresas ligadas à Internet para verificar se o PIB mundial é capaz de gerar a riqueza necessária para remunerar o seu valor. O problema, a seu ver, é que os números estão maiores do que o mundo . Alguém vai sobrar aí , diz.

De qualquer forma, ela acredita que a empresa que não se preparou há pelo menos cinco anos para essas mudanças pode ter perdido o bonde. O grupo Libra, diz Celina, investiu pesadamente na informatização de suas operações. Com isso, vai poder aderir a uma novidade que começa a acontecer nas companhias de transporte marítimo. Elas estão cada vez mais próximas do booking do minuto, como ocorre nas empresas aéreas , diz. Quem fizer uma reserva de carga com antecedência vai ter direito a uma tarifa mais em conta.

Como leitora, Celina não é do tipo que devora romances ou livros de ficção. Atualmente, está lendo Democracia na América, do filósofo francês Alexis de Tocqueville. Ele faz uma avaliação absolutamente atual do sistema americano , afirma Celina. Ela diz que adora cinema, mas prefere alugar uma fita e ver em casa. Recentemente, juntou os dois filhos e foi ver num cinema perto de sua casa o último episódio de 007. Dormi no meio do filme , diz com uma gargalhada. Mesmo com todas aquelas bombas que explodiam na tela, só acordei quando meus filhos me chamaram para ir embora.

Faz seis meses que não joga golfe, um esporte que voltou a praticar nos últimos anos. Não por falta de tempo nos fins de semana. Posso falar a verdade? Sou uma pessoa de casa , afirma. A minha prioridade hoje, na faixa etária dos meus filhos, são eles, porque daqui a pouco essa fase passa e eu é que vou sobrar. As férias em família são sagradas. Entre o Natal e o Ano-Novo, Celina, que esquia desde pequena, costuma levar os filhos para alguma estação de inverno, na Europa ou nos Estados Unidos.

Graças às mudanças e aos investimentos realizados nos últimos anos, ela está confiante nos resultados das empresas do grupo este ano. O que acabou de terminar foi, na sua definição, decepcionante . A desvalorização do real reduziu substancialmente o volume das importações, sem ter aumentado, em contrapartida, as exportações. Ela diz que a área de navegação é um mercado em transição em todo o mundo. Nos últimos cinco anos, o setor se internacionalizou, com grande número de fusões e associações entre as grandes companhias.

A Libra Navegação caminhou na mesma direção. Para continuar brigando por uma fatia do tráfego marítimo internacional, ela se associou no início do ano passado à Companhia Sud-Americana de Vapores, a CSAV, do Chile, a maior empresa de transporte marítimo da América do Sul.

Os chilenos ficaram com 70% da empresa. Sozinhos, não tínhamos uma estrutura de custos operacionais capaz de competir com os grandes lá fora , diz Celina. É absolutamente fundamental ter escala. Associada à CSAV, a empresa passou a alugar 150 000 contêineres por dia em vez dos 20 000 de antes. Resultado: o valor do aluguel, que era de cerca de 1,50 dólar por contêiner, caiu para 90 centavos. Não tenho dúvidas de que hoje somos capazes de competir , declara Celina, que espera um aumento de 35% no volume transportado este ano. Ela afirma que o grupo tomou decisões difíceis que não podiam ser postergadas. É claro, diz ela, que o administrador está sempre se perguntando o que mais poderia ser feito. O que pode dar errado e o que está faltando são dúvidas que vira e mexe me acompanham , diz. Mas nesse momento olho para trás e vejo que fizemos o dever de casa.