MRV tem lucro 23,4% menor no 2º tri

Ao final de junho, a MRV tinha saldo de provisão para manutenção de imóveis de 176,4 milhões de reais

São Paulo – A MRV Engenharia fechou o segundo trimestre com lucro líquido de 145 milhões de reais, queda de 23,4 por cento sobre o ganho obtido um ano antes, ainda refletindo efeitos do começo do ano, conforme dados divulgados nesta segunda-feira.

O resultado também ficou abaixo da previsão média de seis analistas em pesquisa da Reuters, que apontava lucro de 161,2 milhões de reais para a empresa no período.

Já a geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) somou 212 milhões de reais entre abril e junho, 17 por cento menor na relação anual, com a margem caindo de 25,9 para 19,4 por cento.

“Uma série de impactos afetaram negativamente o resultado do primeiro trimestre e ainda tivemos o restante desses impactos, mas isso já está melhorando”, disse à Reuters o vice-presidente financeiro da MRV, Leonardo Corrêa.

Entre os ingredientes que pressionaram a última linha do balanço o executivo citou, como os custos do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado entre a empresa e a Prefeitura de Campinas, em janeiro, e o “contínuo esforço na qualidade de entrega”, acrescentou.

Em termos de qualidade, a construtora e incorporadora continuou a constituir provisões no trimestre passado.


Ao final de junho, a MRV tinha saldo de provisão para manutenção de imóveis de 176,4 milhões de reais, equivalente ao período de garantia para eventuais problemas identificados em imóveis entregues, e outros 10,9 milhões de reais em provisões cíveis e trabalhistas.

O resultado também refletiu um aumento nas linhas de despesas. As despesas gerais e administrativas subiram 22 por cento nos três meses até junho, a 57 milhões de reais.

As despesas comerciais, enquanto isso, somaram 72 milhões de reais, alta de 43 por cento ano a ano, decorrente do maior número de plantões de vendas, corretores próprios e investimentos em publicidade.

Do lado positivo, Corrêa assinalou a conclusão de um “ciclo importante para a companhia”, após anos de investimentos em suas operações.

O consumo de caixa no segundo trimestre no segmento residencial foi de 1,8 milhão de reais. A média de consumo de caixa trimestral em 2011 foi de 147 milhões de reais.

A MRV já havia divulgado lançamentos de 1,067 bilhão de reais de abril a junho, alta de 42 por cento ante o mesmo período de 2011.

As vendas contratadas somaram 943 milhões de reais, queda anual de 2,7 por cento, mas alta de 15,6 por cento sobre o primeiro trimestre.

A empresa cumpriu até junho cerca de 35 por cento do ponto médio da estimativa para o fechado de 2012, de vendas entre 4,5 bilhões e 5,5 bilhões de reais.


Com isso, a MRV viu sua receita líquida crescer 10,4 por cento no segundo trimestre, para 1,091 bilhão de reais.

Ministério do Trabalho – A divulgação dos números da MRV ocorre cerca de duas semanas após a empresa ter dois projetos incluídos na lista do Ministério do Trabalho que reúne empregadores que tenham submetido funcionários a condições análogas às de escravo.

Segundo dados do Ministério, fiscalizações realizadas em março e abril de 2011 resultaram em 68 trabalhadores resgatados em condições análogas a escravidão, o que levou a MRV a pagar multa rescisória de aproximadamente 230 mil reais.

O movimento levou a Caixa Econômica Federal, signatária do Pacto Nacional pela Erradicação do Trabalho Escravo no Brasil, a suspender a concessão de novos financiamentos à MRV.

A MRV é uma das principais parceiras da Caixa e a maior repassadora de recursos do programa “Minha Casa, Minha Vida”, do governo federal.

Nesta segunda-feira, Corrêa não quis dar detalhes sobre o andamento do processo, mas afirmou estar “confiante de que haverá solução para esse tema o mais rápido possível”. “É uma situação temporária”, acrescentou.

Ainda nesta segunda-feira, o Ministério Público do Trabalho de Campinas (SP) informou que a MRV entrou com pedido de mandado de segurança, com pedido de liminar, para retirar seu nome da lista. O pedido, segundo o Ministério, foi negado pelo juiz do Trabalho daquela região.

“Os valores, princípios e missão da MRV são incompatíveis com práticas irregulares trabalhistas às quais se refere o Cadastro de Empregadores. A companhia está tomando as medidas legais cabíveis visando à exclusão dos referidos apontamentos no Cadastro”, reiterou a empresa no balanço.