O começo da (longa) retomada

Os números que a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores apresentará nesta quinta-feira devem confirmar a agonia que o setor viveu no país em 2016. Ontem, os dados divulgados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) revelaram que a venda de veículos caiu 20,19% em 2016, em comparação com 2015. Com um novo ano começando, vem a expectativa de uma retomada do setor. Ela virá?

A Fenabrave prevê que em 2017 as vendas devem somar 2,10 milhões de veículos, ante os 2,05 milhões de unidades vendidos em 2016. “Conversamos com as montadoras e a visão é de que 2017 é um ano de estabilidade. É uma notícia positiva, já que paramos de cair, mas não há espaço para euforia”, diz Vitor Klizas, presidente da consultoria Jato Dynamics

O problema para a retomada do setor está na dependência da oferta de crédito, que, na visão de economistas, só deve mostrar uma forte retomada em 2018. No auge dos estímulos para a produção de carros no país, as vendas passaram de 1,97 milhão em 2006 para 3,8 milhões de automóveis em 2012. Os 2,10 milhões projetados para 2017 não chegam à metade da capacidade que as montadoras instaladas do Brasil têm de produção – 5,05 milhões de veículos por ano.

Para os demais anos, o cenário também não é dos mais otimistas. Nos cálculos da consultoria Jato Dynamics, a venda anual de 3,8 milhões de veículos não deve voltar a acontecer antes de 2023 – o horizonte mais distante analisado pela consultoria. Durante o Salão Internacional do Automóvel de São Paulo no fim ano passado, o presidente da Volkswagen no Brasil, David Powels, disse que a indústria vai levar ao menos 10 anos para retornar aos patamares de 2012. A saída para utilizar a capacidade ociosa seria exportar veículos. O problema é que as exportações ainda são pequenas: até novembro de 2016, a o país exportou 457.800 unidades. O alívio terá de vier do mercado interno. Portanto, é melhor apertar os cintos, porque a viagem vai ser longa, e cheia de obstáculos.