Microsoft: uma guinada de 90 bi

O quão difícil pode ser dar uma guinada em um negócio de 90 bilhões de dólares. Para a empresa de tecnologia Microsoft, um bocado. A companhia divulga resultados hoje e deve apresentar queda de faturamento pelo quarto trimestre consecutivo, para 22.1 bilhões de dólares, além de uma redução no lucro por ação de 62 para 58 centavos de dólar em relação ao ano passado. O relatório encerra o ano fiscal da empresa, e deve mostrar ainda a primeira queda de receita anual em sete anos – 87 bilhões de dólares, 7% a menos que em 2015.

Os números são reflexo dos desafios colocados frente ao presidente Satya Nadella, de transformar a Microsoft de uma companhia focada em vender software para uma que vende serviços na nuvem e produtos que cobram por mês, como o Office 365. Um dos grandes problemas não só para a Microsoft, mas para empresas como Oracle e SAP, é que, para esse tipo de transição, abre-se mão de faturar no curto prazo para fechar contratos de receita recorrente.

Segundo analistas, a transição da Microsoft está sendo especialmente lenta, o que piora as coisas. Em junho, a companhia comprou a rede social LinkedIn na tentativa de oferecer um produto mais completo para seus clientes. Analistas questionam se o valor pago, de 26,2 bilhões de dólares, não foi alto demais. Em 2013, quando vislumbrava entrar com força no mundo dos smartphones, a companhia pagou 7,2 pela Nokia e acabou dando esse dinheiro como perdido mais tarde.

A Microsoft enfrenta também problemas com a venda do Windows 10. Planejava ter um bilhão de usuários do sistema em 2017, mas atingiu até agora apenas 350 milhões. Assim fica mesmo difícil agradar os investidores.