Microsiga adia abertura de capital no Novo Mercado

A Microsiga não deve abrir seu capital no Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo — como está programando desde o início de 2001 — pelo menos até outubro deste ano. Segundo José Rogério Luiz, vice-presidente das áreas financeira e planejamento estratégico, a fabricante de software continua pronta para fazer o lançamento das ações, mas espera o momento adequado. “Estávamos em Nova York, com bancos e advogados, em 11 de setembro, fechando o road show com investidores americanos para o mês seguinte. Quarenta minutos depois do início da reunião, aconteceu o atentado terrorista”, diz ele. “A partir daí, o apetite do mercado diminuiu”.

Segundo o executivo, o processo documental e o desempenho financeiro da Microsiga estão adequados para a abertura. Mas ele acredita que as condições do mercado financeiro só estarão melhores depois das eleições presidenciais. “Será difícil ver crescimento da Microsiga sem a abertura de capital, mas a nossa necessidade é estratégica. A empresa não precisa de capital a curto prazo”, afirma Luiz. “Por isso temos condições de gerenciar o cronograma de estréia na bolsa.”

Em 2001, a Microsiga registrou faturamento de 107 milhões de reais, cerca de 12% maior que o alcançado no ano anterior. Isso sem contar as receitas geradas pelas franqueadas. O total vendido pela empresa mais a receita gerada pelos revendedores brasileiros e os que atuam em outros sete países está estimado em 210 milhões de reais. Pelo menos 2% do faturamento foi gerado com exportações, segundo Luiz. A surpresa foi a franquia da Argentina — que pertence 100% à Microsiga brasileira e que tem uma operação que vale entre 500 mil e 1 milhão de dólares por ano — que, apesar da crise no país, fechou dois contratos superiores a 100 mil dólares nos últimos 90 dias. “São pequenos, mas mostra que o mercado argentino não parou”, diz ele. “Parece brincadeira, mas todas as faturas das empresas argentinas estão sendo pagas em dia”.