Michael Eisner

Presidente e CEO da Disney, de Burbank, Califórnia

Quando adolescente, gostava de pôr tudo e todos à prova. Era como se eu vivesse só para desafiar todo tipo de autoridade. Assim foi com meu pai, Bruce McClellan, cuja lição sobre liderança foi a mais preciosa que tive. Como diretor de escola, ele era para mim a encarnação da autoridade máxima, invulnerável às minhas investidas. Muitas coisas apontavam o tempo todo para o fato de que ele tinha a autoridade e eu não, sobretudo a advertência explícita de que tudo quanto eu fosse fazer deveria ser com perfeição. Na época, isso parecia lugar-comum, e hoje também. Contudo, vale a pena dar ouvidos aos clichês de vez em quando. Meu pai alardeou sua busca pela excelência milhares de vezes nos três anos em que passei diante de sua presença franca e objetiva. Eu era orgulhoso demais e terrivelmente rebelde para admitir que ele tivesse razão. Meu objetivo era me sair bem nos esportes e concluir os estudos. O tempo todo, porém, seu credo de excelência martelava subliminarmente em meu cérebro. Se estivesse jogando futebol em casa, fazendo um hambúrguer ou cortando a grama, sua teoria era: não perca tempo, faça sempre muito bem-feito tudo o que tiver de fazer.

Ouvi isso tantas vezes na escola que acabou virando motivo de piada para mim. Sempre que eu ia mal no basquete, procurava expulsar logo da mente a advertência paterna. Quando não estudava e ainda assim conseguia média, tratava logo de ignorar o que meu pai dizia. Se esquecia o aniversário de minha irmã, saía correndo e comprava depressa um presente qualquer, em flagrante oposição ao que meu pai pregava. No fundo, porém, suas palavras, a repetição daquela busca pela excelência e sua paixão por melhorar sempre calaram fundo em mim. À medida que a adolescência ia ficando para trás, aquelas palavras de Bruce McClellan começavam a fazer sentido, assim como as aulas de cálculo, de química orgânica ou sobre Shakespeare, porque a excelência era a única forma de evitar o tenebroso abismo da mediocridade. É claro que só me dei conta disso muito mais tarde, provavelmente depois do meu primeiro fracasso, como executivo da ABC.

Aos poucos, sem que eu percebesse, as coisas que meu pai dizia já não me aborreciam mais. Pelo contrário, elas se tornaram motivo de inspiração e foram o alicerce para tudo o que eu viria a realizar. Houve também um momento em que aprendi a distinguir “excelência” de “perfeição”. A perfeição é inatingível. Já a excelência é possível de alcançar mediante esforço concentrado. Basta não desistir.

O ponto alto da diretriz que sempre norteou a vida do meu pai era que, se nos empenhássemos na busca da excelência, nem sempre seríamos bem-sucedidos como líderes, mas certamente viveríamos bem melhor. Portanto, se mantivermos sempre esse foco, seremos indivíduos realizados — quer tenhamos sob nossa orientação uma multidão de pessoas, quer caminhemos sós por uma estrada deserta.