Jornal fundado por luso-brasileiro em Portugal comprova origem de Santo Antônio em Castelo de Paiva

13 de junho é comemorado o dia de Santo Antônio, conhecido como o santo casamenteiro e que tem milhões de devotos em todo o Brasil, assim como ao redor do mundo. 

Embora a tradição e a própria igreja apontem que o Santo tenha nascido em Lisboa, no ano de 1195, e seja também conhecido como Santo Antônio de Pádua, por ter como local de sepultamento a cidade de Pádua, na Itália, em 1231, novos indícios históricos, documentais descobertos pelo Jornal Paivense, fundado em 2017 em Portugal pelo luso-brasileiro Fabiano de Abreu, revelam que Santo Antônio tem forte ligação com o concelho de Castelo de Paiva, ligando a origem do santo com o município a norte do país, distante 350km de Lisboa. 

A investigação empreendida pelo jornal em conjunto com uma equipe de especialistas revelou que os pais de Santo Antônio nasceram e viveram na região de Castelo de Paiva, e que membros da família real Portuguesa e seus descendentes que atualmente vivem no Brasil, como o deputado federal e cientista político Luiz Phillipe de Orleans e Bragança, tem lugar na genealogia do Santo, nascido Fernando de Bulhões.

Árvore genealógica de Santo Antônio

O pesquisador Rui Pereira é o responsável pela elaboração da árvore genealógica, traçada através de documentos e estudos que provam a ligação de Santo António com a terra de Payva, assim como sua ascendência nobre, que está de acordo com a tradição oral.

Ainda segundo a tradição, a freguesia de Sobrado em Castelo de Paiva teria sido a terra natal dos progenitores de Santo Antônio. Os testemunhos mais antigos da sua existência datam do século XI, sendo considerada uma abadia de apresentação do Marquês de Marialva. Este direito transitou para a Coroa Real e posteriormente, para a Casa de Bragança, situação que se manteve até 1758. A tradição diz que Martim de Bulhões, pai de Santo António, queria conquistar D. Teresa Taveira e para o fazer teve de se submeter a duras provas de costumes medievais, tendo ainda de se defrontar com um pretendente à mão de Teresa, que se chamava Dom Fafes. Consta que este duelo, do qual saiu vencedor Martim de Bulhões, realizou-se no local onde se encontra o Marmoiral da Boavista, no município de Castelo de Paiva.Em Castelo de Paiva existe o Portal da Serrada, que apresenta Brasão com as armas dos Bulhões, que foram adotadas pela cidade de Pádua, devido a importância da família através do legado de Santo Antônio.

Em Castelo de Paiva existe até hoje o Portal da Serrada, que apresenta Brasão com as armas dos Bulhões, que foram adotadas pela cidade de Pádua, devido a importância da família através do legado de Santo Antônio.

Portal da Serra, em Castelo de Paiva, apresenta o brasão dos Bulhões – Foto: Reprodução

O livro “Santo António de Lisboa” de Mário Gonçalves Pereira lançado pela Chiado Editora, apresenta provas e relatos que conectam os pais de Santo Antônio a Castelo de Paiva: “os paivenses não querem abandonar a certeza histórica de que os pais de Santo Antônio foram naturais de Castelo de Paiva”, refere o autor.

Foto: Reprodução

Vila Gondim e Vila Sobrado, Honras medievais do século XI, foi onde se instalaram Bulhões, ascendentes de Santo António, provenientes de França, através da Galícia, norte da Espanha, convidados pelo Conde D. Henrique, pai de D. Afonso Henriques, que foi o primeiro rei de Portugal.

Trechos de documentos do século 9 comprovam o que a tradição oral já afirmava em terras de Paiva: “nós de nome Garcia Moniz e minha esposa Elvira fazemos a vós Rei Garcia (filho de Fernando Magno rei de Leão que conquistou Lamego, Viseu e Coimbra aos Mouros) escritura e carta de benefícios de todas as nossas propriedades que temos de avós e de parentes, as quais jazem na terra de Paiva, a Vila Gondim e a Vila de Sobrado, no Douro, acima do Arda, em Paiva. Quatro anos depois, o Rei Garcia, da Galiza, doa estas mesmas propriedades, (e outras mais, onde inclui as da freguesia de Real, também na terra de Paiva) a D. Afonso Ramires (Adefonso Ramiriz), como recompensa por serviços prestados:“Ego Garsia gratia Dei rex filii Fredenandi imperatoris et Sanctia Regina tibi fidele meo Adefonso Ramiriz…placuit mihi ut facerem a tibi Adefonso Ramiriz textum scripture et kartula firmitatis…de illa parte Dorio villa Gundin, villa Soperato, villa Gelmiriz…villa Rial…(“Diplomata et Chartae”, documento 491 de 1070).

“Diplomata et Chartae” – Foto: Reprodução

O Jornal Paivense é hoje um dos principais veículos de comunicação do norte de Portugal, e foi o primeiro jornal do país a comprovar a ligação do Santo com Castelo de Paiva, para alegria dos moradores e devotos do pacato município: “empreendemos uma pesquisa que levou meses. Consultamos autoridades no assunto, locais e estrangeiras, buscando entender até onde a tradição oral correspondia às provas documentais e vice versa. Esta descoberta tem forte significado para a população de Castelo de Paiva e principalmente para os devotos do Santo, que hoje tem mais um ponto de apoio para a tradição e de grande valor não apenas religioso, mas principalmente histórico e cultural”, relata Hebert Neri, editor do Jornal Paivense.

Segundo os especialistas locais: “a efeméride do nascimento, em Terra de Paiva dos progenitores desse santo e dá-la a conhecer ao mundo, com base na descrição genealógica existente dos Bulhões de Santa Cruz das Serradas, se procurou traduzir com igual rigor e o mesmo valor histórico que tal documento representa”. A pesquisa, que envolveu arqueólogos, historiadores, jornalistas e centenas de depoimentos de habitantes locais, de Castelo de Paiva, conseguiu provas de que os pais de Santo Antônio nasceram e viveram boa parte de suas vidas na região de Paiva, o que posiciona o município no foco da atenção daqueles que se interessam pelo legado, história e em seguir os passos de Santo Antônio.