Medina, do Rock in Rio: as lições de gestão do festival

Para o empresário Roberto Medina, fundador do Rock in Rio, está na hora de investir na educação no setor de entretenimento no Brasil

São Paulo — O festival Rock in Rio deverá atrair 700 000 pessoas interessadas nas 600 horas de shows que ocorrem em dois finais de semana, entre 27 de setembro e 6 de outubro. No mesmo local, no dia 1 de outubro, um público diferente é esperado para outro evento: a terceira edição do Rock in Rio Academy, realizado em parceria com a empresa de educação corporativa HSM.

São 600 vagas abertas. No palco, os músicos cedem espaço aos professores, que são os próprios executivos do festival. O evento se tornou o embrião do Learning Experience Unit (LExU), novo departamento do Rock in Rio criado para construir experiências por meio de educação e entretenimento. Roberto Medina, que fundou o Rock in Rio em 1985, falou a EXAME sobre os novos negócios e nova edição do festival.

Por que criar uma unidade de educação?

O Academy é uma oportunidade para que as pessoas entendam de perto tudo o que acontece na Cidade do Rock. Os ingressos custam até 3.600 reais, mas pela primeira vez oferecemos a opção de participar via streaming por 99 reais. É o primeiro produto da LExU, uma unidade de negócios que consolida as iniciativas educacionais. Meu sonho é tornar esse modelo mais acessível.

Quais lições podem ser aprendidas?

É um festival inédito no Brasil e no mundo. O primeiro evento custava 50 milhões de dólares e se eu vendesse todos os ingressos teria só 5 milhões de dólares para realizá-lo. Fiz do festival de música um projeto de mídia, com conteúdo e patrocínio. Tomei risco e transformei um mercado.

Outros cursos devem compor o portfólio dessa área de educação?

Sim, estamos lançando no Academy o livro de gestão do Rock in Rio: A Arte de Sonhar e Fazer Acontecer, por Allan Costa e Arthur Igreja. Em novembro, ofereceremos cursos à distância a partir dos aprendizados que temos. Em 2020 traremos pela primeira vez ao Brasil a Inovation Week, uma semana de inovação para empreendedores. O evento já aconteceu em 2028 e 2019 em Portugal. Sonho também em desenvolver cursos de especialização técnica com duração de até dois anos. Penso na formação porque acredito na expansão do setor conforme a economia do país melhorar.

Esta será a oitava edição do festival. Como manter a atenção do público renovada por tantos anos?

É fundamental se manter sempre novo e relevante. Eu sou a favor da economia de mercado, mas de forma que seja inovadora ao olhar para diferentes públicos. Um exemplo é o palco favela, que injeta novas pessoas na economia e é um ativo social.

Neste ano o senhor criou um palco favela com apresentação de artistas da periferia. Por quê?

Tive a ideia do palco favela quando, no caminho para Cidade do Rock, descobri um tiroteio na Rocinha e aquilo me impressionou. O Rio de Janeiro é um exemplo de como devemos impulsionar as boas coisas que acontecem aqui.Precisamos de segurança pública e confiança para conquistar o potencial econômico que a cidade e a população têm. Pessoas de 68 países compraram os ingressos e estarão aqui porque acreditam no evento, nos artistas, no local e nas marcas.

Quais são os planos de expansão do Rock in Rio?

Estamos trabalhando com uma equipe do Chile aqui no Rio de Janeiro e discutindo sobre fazermos uma edição por lá em 2021. Também estou estudando um um projeto de expansão para a Alemanha. A edição de Lisboa [existente desde 2004], por exemplo, é bastante bem sucedida e com resultados excepcionais. Para se ter ideia, quando chegamos a Portugal, o maior projeto de música de lá investia 600 000 euros. Nós chegamos com 14

milhões de euros.

No Brasil, a crise afetou as receitas do festival com patrocinadores?

Mesmo com a crise, nossas receitas com patrocínio cresceram 30% neste ano, em comparação à edição de 2017. São 50 milhões de reais investidos só em ativações internas. Isto porque elas entenderam a força que têm com o público. No último evento, por exemplo, tivemos 2.6 bilhões de reais em mídia espontânea.