McDonald´s deve ir à Câmara para explicar denúncia de exploração de funcionários

Rede de fast food é acusada de pagar salários menores do que o mínimo e estabelecer jornada de trabalho fora da lei

São Paulo – A rede de fast food McDonald´s terá de prestar esclarecimentos à Câmara dos Deputados para explicar denúncias sobre as políticas salariais e de jornada de trabalho de seus funcionários. A audiência ainda não tem data marcada.

O pedido foi motivado após denúncias do Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Bares e Restaurantes do estado de São Paulo (Sinthoresp). Em um vídeo feito pelo órgão, uma recrutadora do McDonald´s afirma que cada funcionário receberá 2,52 reais por hora – o que totaliza 380 reais por mês, inferior aos 545 reais mensais do salário mínimo. O sindicato também acusa o Sindifast, que representa os trabalhadores em fast food, de agir em favor da rede, que, no Brasil, pertence à Arcos Dorados.

Além disso, o McDonald´s é acusado de praticar a chamada jornada móvel e variada de trabalho, na qual o trabalhador que não está em atividade na loja, nos momentos em que a demanda é menor, fica na chamada “sala de break”. Ou seja, todo o tempo parado é descontado na folha. Há funcionários que afirmam ter ganhado apenas 50 reais como salário.

Convocados – Em requerimento, o deputado federal Sabino Castelo Branco (PTB-AM) convoca a participação de Woods Staton, presidente da Arcos Dourados; Francisco Calasans Lacerda, presidente Sinthoresp; Henrique Nelson Calandra, presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros; e Dora Maria da Costa, Ministra do Tribunal Superior do Trabalho.

No dia 10 de outubro o McDonald´s prestou depoimentos no Senado. Confira a íntegra do comunicado da empresa sobre a nova convocação:

A respeito das afirmações sobre a participação em audiências, reiteramos o posicionamento e os esclarecimentos já prestados no dia 10 de outubro de 2011, no Senado Federal:

— a empresa realiza o pagamento de todas as horas em que o funcionário está à disposição no restaurante, desde o momento em que chega até o que sai. A empresa foi uma das primeiras a adotar o ponto eletrônico biométrico no país, que registra todo o período trabalhado;


— paga o piso salarial determinado por todos os sindicatos que representam a categoria em cada cidade onde atua, que é sempre igual ou maior que o salário mínimo para o caso de quem cumpre a jornada integral de 44 horas semanais;

— paga o piso pelo valor da hora trabalhada determinado pelos sindicatos que representam a categoria nos casos em que os funcionários optam por uma jornada flexível, de modo a poder conciliar o tempo de trabalho com o de estudos;

— A empresa informa que apurará qualquer caso que fuja à sua política aqui externada e que qualquer episódio pontual deve ser tomado como exceção e não como a política corporativa da empresa;

— Pelo 13º ano, a marca foi reconhecida pelo Great Place to Work como uma das melhores empresas para se trabalhar no país, com destaque para as oportunidades profissionais e por ser uma das maiores geradores de emprego formal. A companhia possui um compromisso em cumprir rigorosamente a legislação trabalhista e segue o que é previsto e reconhecido por lei.