McDonald’s aumenta salários na China para fugir da imagem de mau patrão

Pressão dos sindicatos e da imprensa chinesa acelerou implantação de melhorias trabalhistas

Nem só de sorrisos do Ronald McDonald, palhaço símbolo da cadeia americana de lanchonetes, se faz uma boa imagem corporativa. Interessada em desfazer a pecha de “exploradora” da mão-de-obra chinesa, após acusações dos sindicatos locais, a empresa concederá aumentos de salário a cerca de 45 mil funcionários que trabalham em tempo integral ou parcial nas 815 lojas do país asiático.

Segundo o americano The Wall Street Journal, o McDonald’;s elevará o pagamento de seus empregados na China, a partir de 1º de setembro, para faixas que vão de 12% a 56% acima do salário mínimo determinado pelo governo.

Na prática, os funcionários de atendimento ao público verão em seus contracheques um reajuste de 30%, em relação aos salários que recebiam até essa data. Após o aumento, os atendentes em Guangzhou, por exemplo, uma das maiores cidades do sul do país, passarão a receber o equivalente a 142 dólares por mês, 21% a mais do que no mês anterior.

Também os empregados em cargos de gerência serão beneficiados pelo pacote de melhorias. Um terço deles ainda se mantinha fora do programa de bônus e benefícios, que premia os chefes de equipe conforme os rendimentos do restaurante e da companhia como um todo, mas passará a receber de acordo com esse sistema.

A preocupação em melhorar o relacionamento com os funcionários foi uma resposta direta ao endurecimento das leis trabalhistas e à pressão dos sindicatos de empregados, respaldado pelo governo chinês.

Em abril deste ano, uma das mais fortes instituições trabalhistas locais, a Federação Chinesa dos Sindicatos, acusou o McDonald’;s e sua concorrente direta no ramo de fast food, a também americana Yum Brands (responsável pelas redes Pizza Hut e KFC), de desrespeitar as leis trabalhistas e pagar aos trabalhadores de meio período salários abaixo do mínimo regional de Guangzhou.

As autoridades mais tarde absolveram as empresas, mas a mídia chinesa não perdoou. Marcas americanas que investem milhões para associar seus produtos à imagem de alegria e bem-estar familiar acabaram relacionadas, por causa do incidente, ao rótulo de maus patrões.

Segundo o executivo-chefe do McDonald’;s na China, Jeffrey Schwartz, a empresa já planejava aumentar o salário dos empregados, mas ele admite que o caso de Guangzhou agilizou a implantação do pacote de melhorias, de acordo com o WSJ.

Além da pressão governamental e da imprensa, cadeias como o McDonald’;s possuem no acelerado crescimento chinês outro bom motivo para corresponder às expectativas dos consumidores e das autoridades do país. A marca tem se expandido a um ritmo de 100 novas lojas por ano e as vendas na China já correspondem a 2% do faturamento global da companhia.