Mapfre paga ágio de 46,62% e compra seguradora da Nossa Caixa

Privatização da empresa de seguros era disputada por outras duas companhias, além do grupo espanhol

O grupo espanhol Mapfre venceu o leilão de privatização da Nossa Caixa Seguros e Previdência, que ocorreu nesta terça-feira (24/5) na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). A Mapfre pagou 225,83 milhões de reais para comprar 51% do capital social da estatal, um ágio de 46,62% sobre o preço mínimo de 154,20 milhões de reais.

Outras duas seguradoras estavam pré-qualificadas para participar do leilão. A NCVP, que faz parte do grupo francês Cardif, fez um lance pelo valor mínimo e, por isso, perdeu a disputa. A outra empresa, a Itumbiara Participações, que pertence à Icatu Hartford, não entregou nenhuma proposta.

“Sabíamos que a oferta da Mapfre seria muito agressiva”, disse Marcos Falcão, presidente da Icatu, que estava presente no leilão. “Por isso, decidimos não fazer nenhum lance”. Há rumores de que a Mapfre e a Icatu possam fazer um acordo e administrar a Nossa Caixa Seguros e Previdência em conjunto. As empresas negam.

O ágio pago pela Mapfre surpreendeu os analistas de mercado presentes na Bovespa. “Não esperávamos um valor tão alto”, disse Milton Milioni, presidente da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec).

Antonio Cássio dos Santos, presidente da Mapfre, disse que o objetivo da seguradora ao fazer uma oferta tão agressiva foi “ganhar na primeira”. “Não quisemos correr nenhum risco. Não estávamos aqui para disputar, mas para vencer o leilão”, afirmou.

O interesse do grupo espanhol é pelo canal de distribuição da Nossa Caixa. “Hoje, 90% dos seguros de vida e dos produtos de previdência são distribuídos pelos bancos, em suas redes de agências”, disse Antonio Cássio dos Santos. “Compramos o último canal de distribuição disponível no mercado brasileiro”. Ele declarou ainda que o grupo “poderia até ter pago mais” pela seguradora.

A Mapfre havia tentado comprar a Real Seguros, do banco Real ABN Amro, mas perdeu a disputa para a seguradora japonesa Tokio Marine no final de abril deste ano.

A Nossa Caixa Seguros e Previdência, criada para atuar nos ramos de vida e previdência privada, tem uma carteira de apenas 32 milhões de reais, formada somente pela comercialização de dois planos de previdência privada, o PGBL e o VGBL. “A idéia é começar a vender outros tipos de seguros de vida e ampliar a venda de produtos de previdência”, diz Santos.


Carlos Eduardo Monteiro, presidente da Nossa Caixa, comemorou o resultado do leilão. “Foi um resultado muito positivo e, agora, queremos ganhar dinheiro com esse negócio”. Segundo uma fonte do banco, a seguradora não conseguia expandir suas operações por ser uma empresa pública. “Não podíamos contratar funcionários, nem investir, porque estávamos engessados por uma série de regras e legislações. Isso muda agora”.

As outras duas empresas de seguros da Nossa Caixa a de capitalização e a que atua nos chamados ramos elementares (veículos, residência etc.) também serão vendidas, diz Rubens Sardenberg, diretor financeiro da Nossa Caixa. “Devem ocorrer leilões nos mesmos moldes do que aconteceu hoje”, afirmou. Ele acrescentou que a idéia do banco é manter, nos dois casos, uma participação de 49% nas empresas vendidas. Ainda não há data para esses leilões.

A Nossa Caixa também vai estrear na bolsa de valores no segundo semestre deste ano. O banco pretende captar cerca de 700 milhões de reais vendendo 25% do capital da instituição. Eduardo Guardia, secretário da Fazenda do Estado de São Paulo, reiterou, porém, que o banco não será privatizado. “Isso está totalmente fora de cogitação”.

A Mapfre é a maior seguradora da Espanha e atua também em 36 países 21 deles nas Américas. A empresa tem ativos de 25 bilhões de dólares e faturamento anual de 15 bilhões de dólares.