Malwee de cara nova – e contratando

O presidente Guilherme Weege investe em diversificação e sustentabilidade e anuncia 1.700 contratações para 2013.

São Paulo – A região sul tem uma forte característica de empresas familiares. Ainda hoje, algumas das maiores companhias da região permanecem nas mãos dos descendentes de seus fundadores. Mas, mesmo nelas, estão despontando líderes inovadores, com vontade de reinventar os negócios criados por seus avós e bisavós.

Um bom exemplo é o executivo Guilherme Weege, de 32 anos, presidente da Malwee, de Santa Catarina. Quarta geração da família na companhia, ele assumiu o comando em 2011.

Desde então, ele levou a companhia para o varejo, com a abertura de 40 lojas próprias em shoppings de todo o país, e diversificou o portfólio da companhia com a compra das marcas Scene e Puket. Para este ano, ele anuncia 1.700 contratações para a área industrial e varejo.

Quais o senhor apontaria como suas maiores realizações desde que assumiu a presidência da Malwee?

Guilherme Weege – A Malwee é uma empresa familiar que está na sua quarta geração. Em diversos momentos da sua história passou por mudanças e evoluções e isso nos permite contar uma história de mais de um século (fundação em 1906). Basta lembrar que antes da indústria de moda, o grupo passou pela agricultura, alimentos e comércio. Por isso hoje falamos mais de evolução do que de mudanças profundas.

Os processos precisam ser mais ágeis para acompanharmos o mercado, e a cultura de resultados e meritocracia nos fazem hoje mais fortes, mantendo sempre os pilares que nos trouxeram até aqui, como o respeito às pessoas, ao meio ambiente e a sociedade em geral.

A questão da sustentabilidade, sempre presente nos compromissos da empresa, hoje torna-se cada vez mais essencial para o negócio e precisa ser explorada a exemplo do que estamos fazendo por meio do Projeto Eu Abraço Sustentabilidade com Estilo.

A atuação da companhia em atividades como energias renováveis é também uma evolução que acompanha o comportamento atual, fundada em 2005 a DESA é hoje uma das mais respeitadas empresas de energia renovável do país.


E na área têxtil a grande evolução é a ida da companhia para o varejo, conversando diretamente com seu consumidor para dar visibilidade para suas marcas e entender melhor os anseios desse consumidor e com isso poder atender melhor também nossos milhares de clientes multimarca em todo o Brasil.

Quais são, em sua opinião, as principais diferenças entre a sua gestão e a de seu pai?

Guilherme Weege – O meu pai é um homem visionário, que conseguiu construir um dos maiores players da indústria de moda do Brasil. Sua formação profundamente voltada para a área técnica aliada aos valores que sempre nortearam seu trabalho (e que hoje me inspiram) permitiu que o grupo fosse construído sobre as bases sólidas da qualidade em todos os níveis.

Seja no produto, na garantia de entrega pontual ou nas relações comerciais, a qualidade rege nosso dia a dia. Esse é o grande legado do meu pai. Com a evolução do mercado e suas novas necessidades, vejo a necessidade de investir na construção de marcas sólidas e focadas no público alvo que possam dar continuidade ao sucesso do negócio.

E toda essa amplitude de atuação exige uma profissionalização cada vez maior da estrutura, onde os processos e a gestão baseada numa governaça ágil e competente são os meus grandes desafios.

Preparar a companhia para o futuro suportando o crescimento que estamos imprimindo e mantendo a qualidade e o cuidado com as pessoas e o meio ambiente como sempre foi feito regem o dia a dia do meu trabalho.

Como descreveria seu estilo de gestão dos negócios?

Guilherme Weege – Como o mercado pede evolução e agilidade constantes, é isto que procuro aplicar diariamente. Apesar de toda a velocidade que procuro imprimir nas decisões, diariamente mantenho o conservadorismo das atitudes para garantir solidez para os negócios.


Procuro dividir meu tempo buscando evoluir o que está construído, procurando novas oportunidades de negócios e principalmente focando em pessoas, garantindo que temos as melhores pessoas possíveis nos lugares certos!

Estamos conseguindo fazer isto mantendo o clima de família no negócio, as pessoas tem amor pelo que fazem e são comprometidas com os objetivos, isto tudo exige um foco e uma dedicação sem tamanho!

Evoluímos muito na profissionalização da gestão, com arrojo, agilidade e um olho nas pessoas e no meio ambiente. Esses ingredientes trouxeram a companhia até aqui e continuam sendo os pilares do meu estilo de gestão.

Recentemente, o grupo Dobrevê passou por uma expansão acelerada: aumentou a presença da Malwee em shoppings, além de adquirir as marcas Scene e Puket. Por que vocês sentiram que este era o momento certo para crescer? Que percepções de mercado pesaram nessa decisão?

Guilherme Weege – O mercado tem evoluído muito e a concorrência nos estimula a buscar alternativas de crescimento que façam sentido para o nosso negócio, ao mesmo tempo que diversifiquem nosso portfólio, desde que estejam alinhadas à nossa missão de qualidade superior.

Ao pensar profundamente no nosso consumidor e no seu comportamento de compra, procuramos com esta expansão trazer uma solução completa para nossos clientes.

O consumidor é nossa inspiração! Estar presente com a Malwee e agora também com a Carinhoso em lojas nos shoppings nos permite dar uma visibilidade enorme para as nossas marcas e produtos e com isso entender melhor nosso consumidor e auxiliar nossos clientes multimarcas oferecendo produtos cada mais assertivos.

A Scene e a Puket são exemplos disto, marcas que prezam pela qualidade superior, atendendo nichos de mercado importantes, seja pelo mudança demográfica da população no caso da Scene, seja por uma marca com alma e divertida no caso da Puket.

Entre 2011 e 2012, o grupo cresceu 20%. A que atribui esses bons resultados? Quanto planejam crescer neste ano?

Guilherme Weege – O crescimento é resultado de um trabalho profundo de pesquisa dos hábitos dos consumidores, aliados à construção de marcas fortes, sempre com diferenciais na construção destas marcas. No caso da Malwee, a brasilidade está profundamente conectada em todas as nossas coleções, cada produto criado tem uma história para contar, tem um cantinho do Brasil refletido.

O reconhecimento de que as marcas se diferenciam também pela sustentabilidade, começa aos poucos a refletir no consumidor final, que enxerga valor nestas atitudes sustentáveis da companhia.

A Malwee já retirou mais de 7 milhoes de garrafas Pet do ambiente e transformou em moda!

Quais são os planos para 2013? Quantas contratações estão previstas para este ano? Em que áreas pretendem contratar?

Guilherme Weege – Nosso direcionamento está focado na ampliação das lojas nos shoppings e na melhoria do nosso atendimento ao canal multimarca. E estar mais próximos do consumidor e dos clientes é essencial nesse momento. Para isso precisamos investir em pessoas e treinamento.

Tanto para esse trabalho no campo quanto para dar suporte produtivo para o crescimento esperado. Este ano devemos contratar 1000 parceiros (assim que chamamos nossos funcionários internamente) na área industrial, e devemos fechar o ano com 700 contratações no varejo.

O poder de compra dos brasileiros vem aumentando, mas alguns concorrentes do segmento de vocês têm tido tropeços. Qual o segredo para não perder espaço nesse mercado de grande potencial mas tão competitivo?

O segredo está nos princípios que nortearam o grupo nesses mais de cem anos. Produzir com qualidade, preços condizentes com o mercado e principalmente respeito nas relações comerciais, temperados pelo arrojo e modernidade que valorizam as estratégias traçadas sempre são e sempre foram os pilares do sucesso.

Isto tudo aliado a uma equipe extremamente motivada e comprometida, que criam marcas fortes e apaixonantes são os ingredientes que procuramos adotar, é isso que procuro seguir a partir dos ensinamentos do meu pai.