Valeant: a crise tem solução?

É a grande história do mercado financeiro americano em 2016. Diante de uma crise institucional e jurídica, a farmacêutica canadense Valeant deve divulgar nesta quarta-feira, com um atraso de mais de dois meses, o balanço referente ao ano de 2015. Se atrasar de novo, a empresa estará sujeita a multas. Sobram motivos para tanta indefinição.

A Valeant usou uma estratégia peculiar para crescer: abandonou os investimentos em pesquisa e usou empréstimos para comprar outros grupos farmacêuticos. Depois multiplicou os preços dos medicamentos para turbinar as margens de lucro. De 2009 a 2015, o faturamento aumentou dez vezes, atingindo 10 bilhões de dólares.

A empresa virou alvo de investigações de agências reguladoras especialmente por sua política de aumento de preços e por suspeitas de inflar os balanços para subir na bolsa. Em seis meses, o valor de mercado da Valeant caiu 90%. A companhia conta ainda com um débito de 30 bilhões de dólares.

Tem solução? Analistas sugerem que a venda de algumas empresas adquiridas pela Valeant, como a Bausch & Lomb, especializada em oftalmologia e avaliada em cerca de 24 bilhões de dólares, seria uma maneira de quitar os débitos. Na segunda-feira, a companhia anunciou a troca do presidente, e as ações da Valeant voltaram a subir.

Os resultados podem até não vir hoje, mas a Valeant informa que o faturamento de 2015 chegará a 11 bilhões de dólares, 25% maior do que o registrado em 2014. O difícil é fazer o investidor acreditar.