Maior fabricante de genéricos busca CEO que aceite salário baixo

De saída da Teva Pharmaceutical Industries, o CEO Erez Vigodman recebeu US$ 5,7 milhões em 2015, o que o transforma no CEO com o 2º pior salário

Tel Aviv – A maior fabricante de medicamentos genéricos do mundo está à procura de um novo CEO para liderar um dos trabalhos de recuperação mais difíceis do setor.

O único aspecto que não será grande no cargo será o salário: de saída da Teva Pharmaceutical Industries, o CEO Erez Vigodman recebeu US$ 5,7 milhões em 2015, o que o transforma no CEO com o segundo pior salário entre os profissionais que ocupam o cargo em empresas monitoradas pela Bloomberg com valor de mercado de pelo menos US$ 20 bilhões.

O sucessor de Vigodman terá muito para consertar. O preço das ações da Teva caiu pela metade desde 2015 e alguns analistas e investidores preveem que a farmacêutica precisará cortar milhares de empregos e reformular seu modelo de negócio para não virar alvo de aquisições.

Para encontrar a pessoa certa para a função, a Teva pode ter que abandonar certos princípios de recrutamento tácitos adotados nos últimos anos, ou seja, que o CEO seja israelense, more perto de Tel Aviv e mostre a mesma propensão pelo estilo de vida simples adotado pelos ocupantes do cargo anteriores.

“A pessoa que assumir o cargo de CEO precisará ser capaz de liderar uma recuperação substancial da companhia ou saber como tirar o máximo de uma grande venda”, disse Leemor Machnai, CEO da Machnai Weiss & Partners, empresa de recrutamento de executivos que ajuda a Teva a preencher empregos domesticamente e no exterior há mais de uma década.

Após três reformulações de gestão em apenas cinco anos, a empresa israelense não pode se dar ao luxo de cometer novos equívocos em termos de recrutamento.

Vigodman deixa a empresa depois que a aquisição da unidade de genéricos da Allergan por US$ 41 bilhões, arquitetada por ele no ano passado, mostrou-se insuficiente para honrar sua promessa de aumentar as vendas.

O fato revelou falhas na estratégia de realizar aquisições agressivas, que transformou a Teva em uma gigante do setor farmacêutico, mas também a deixou com uma dívida quase tão grande quanto seu valor de mercado.

Para piorar, o medicamento mais vendido da Teva, o Copaxone, deverá enfrentar a concorrência de cópias mais baratas depois que a Justiça dos EUA negou a tentativa da empresa de proteger suas patentes.

“Será difícil encontrar um candidato, mesmo em uma busca global, capaz de recuperar uma empresa com 40.000 empregados”, disse Shmuel Ben Arie, chefe de investimentos para Israel da Pioneer Wealth Management, que começou a comprar ações da Teva em janeiro, quando os papéis atingiram o menor valor em 12 anos.

Ele prevê que o novo CEO precisará cortar 10 a 20 por cento dos postos de trabalho.

Para seguir o exemplo de suas concorrentes, a Teva precisaria multiplicar o pacote de salários para atrair candidatos qualificados.

A fabricante de genéricos Mylan pagou US$ 19,4 milhões à sua CEO, Heather Bresch, em 2015, quase quatro vezes mais do que Vigodman. A remuneração que a Valeant Pharmaceuticals International ofereceu no ano passado ao seu CEO, Joe Papa, para reestruturar a companhia também foi quase quatro vezes superior.