O fenômeno segue: Magalu dobra e-commerce e lucro sobe 13%

Participação do comércio eletrônico chegou a 48% do faturamento. Em setembro, vendas online passaram as lojas físicas pela primeira vez na história

São Paulo — Parece não haver tempo ruim na varejista Magazine Luiza. Como nos trimestres anteriores, a empresa divulgou na noite desta terça-feira 29 resultados positivos nas vendas, com o comércio eletrônico dobrando de tamanho e chegando a 3,3 bilhões de reais no terceiro trimestre, alta de 96% na comparação com o mesmo período do ano passado.

No mês de setembro, as vendas online também ultrapassaram as físicas pela primeira vez na história. Já no período completo entre julho e setembro, o online representou pouco menos da metade, com 48% das vendas totais — ante 42% no segundo trimestre e 36% há um ano.

O faturamento no período foi de 4,9 bilhões de reais, alta de 32% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado. Se incluído o marketplace (as vendas de lojistas parceiros no site do Magalu), as vendas foram de 6,8 bilhões de reais, crescimento de 47%.

No período entre julho e setembro, o Magalu teve lucro de 235,1 milhões de reais, alta de 96,7%. O lucro ajustado foi de 136,3 milhões de reais (12,7% maior) e é uma melhor base de comparação com 2018, pois está adaptado para obedecer a novas normas internacionais de balanços financeiros (o chamado IFRS 16), que passou a vigorar em janeiro deste ano.

O lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado foi de 300,7 milhões de reais, aumento de 7% ano a ano. O Ebitda sem os ajustes foi de 501,2 milhões de reais, alta de 79,7%. A margem Ebitda ajustada foi de 6,2%, ante 7,7% em 2018.

A palavra de ordem no Magalu, escreve a diretoria no balanço do trimestre, é “crescimento”. “Não um crescimento linear. Mas um crescimento exponencial, alimentado por nossa plataforma digital multicanal”, diz a empresa.

Integração com a Netshoes

No comunicado com os resultados do trimestre, a diretoria do Magalu anunciou também que, a partir de outubro, clientes de Netshoes e Zattini passaram a poder retirar produtos nas lojas do Magalu da cidade de São Paulo — com resultados definidos como “supreendentes” pela diretoria. O modelo deve ser escalado para outros lugares em 2020.

A Netshoes, comprada pelo Magalu neste ano, contribuiu com 21% das vendas do comércio eletrônico. Foram 699,3 milhões de reais em vendas na Netshoes.

Embora tenha dito no segundo trimestre que o grosso da integração só acontecerá no ano que vem, devido aos preparativos para a Black Friday em novembro, o presidente Frederico Trajano deve detalhar como anda a colaboração com a Netshoes até agora na conferência com analistas na manhã desta quarta-feira 30. Segundo a empresa, há quase 40 grupos trabalhando na integração.

A Netshoes também respondeu por 4,1 milhões de usuários no trimestre, contribuindo com os 23,5 milhões de clientes ativos do Magalu como um todo — quase o dobro em relação ao ano passado. Além do app próprio e da Netshoes, estão no guarda-chuva da empresa as marcas Zattini, de moda e que veio da Netshoes, e Época Cosméticos. Nos aplicativos que pertencem ao grupo, foram 14 milhões de usuários.

Marketplace em alta

Além da Netshoes, o marketplace segue puxando a alta das vendas online: as vendas próprias tiveram alta de 66%, ante 300% no marketplace. A principal notícia do segundo trimestre da companhia já havia sido o faturamento acumulado de 1 bilhão de reais do marketplace, dois anos após o lançamento da plataforma — ante dez anos para atingir o mesmo valor com vendas próprias online.

Desta vez, em apenas um trimestre, o marketplace respondeu por 853,7 bilhões de reais, quase um terço das vendas online.

A plataforma do marketplace é vista como uma saída rápida para que o Magalu aumente sua oferta de produtos e recorrência de compra. A plataforma fechou setembro com mais de 11.400 lojistas parceiros, ante pouco mais de 8.000 em junho.

Para seguir atraindo mais lojistas, o Magalu lançou em setembro uma ação com frete grátis para parte das vendas no marketplace e vai permitir que produtos dos parceiros sejam retirados em suas lojas físicas (a iniciativa só começou a funcionar em outubro, de modo que não impactou diretamente os resultados divulgados hoje).

Ter metade das vendas na internet é considerado um diferencial do Magalu, que vende online muito mais que a concorrente Via Varejo, que também tem modelo híbrido com lojas físicas e e-commerce, mas cujas vendas online representaram 23% no segundo trimestre (a empresa, que voltou a ser controlada por Michael Klein, divulga os resultados do trimestre em 14 de novembro).

Lojas físicas

As lojas físicas também tiveram alta nas vendas, embora mais modestas. As vendas nas lojas cresceram em 19% (com alta de 9,4% em vendas nas mesmas lojas). Seguindo resultado apresentado no trimestre passado, as vendas nas lojas físicas crescem, mas em ritmo muito menor do que nos anos anteriores — no terceiro trimestre de 2018, por exemplo, as vendas em lojas físicas haviam subido 24%.

O crescimento baixo das unidades físicas vem mesmo com as 52 novas lojas abertas pela empresa no trimestre. O Magalu vem abrindo lojas em mercados onde não tinha participação, como Pará e Mato Grosso, e fechou setembro com 1.039 lojas pelo Brasil. As lojas físicas vêm sendo usadas pela empresa sobretudo para fortalecer sua estratégia multicanal, com programas como o “Retira Loja”, para que produtos comprados online possam ser retirados pelos clientes nas lojas físicas.

Antes da divulgação dos resultados, a ação do Magalu fechou a quarta-feira em baixa de 3,56%, a 41,15 reais e valor de mercado de 62,3 bilhões de reais. Fenômeno da bolsa nos últimos anos, o valor de mercado da empresa cresceu em mais de 100 vezes. Neste ano, apesar do temor dos investidores de que a empresa tenha atingido seu ápice, a ação subiu mais de 80%. Alguns analistas colocam o preço alvo da ação na casa dos 45 reais, apostando que ainda há mais espaço para a empresa crescer sua participação no mercado brasileiro.