Lucro cai e ArcelorMittal e suspende expansão no Brasil

Empresa apresentou lucro líquido de US$ 659 milhões nos três meses encerrados em 30 de setembro

Londres – A siderúrgica ArcelorMittal, maior do mundo em volume e faturamento, anunciou hoje que seus resultados do terceiro trimestre melhoraram em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, a companhia ponderou que as incertezas econômicas cresceram nas últimas semanas, levando-a a prever pressões de preços e volume no quarto trimestre.

A companhia apresentou lucro líquido de US$ 659 milhões nos três meses encerrados em 30 de setembro, depois de um lucro líquido de US$ 1,35 bilhão no mesmo período de 2010, quando foi beneficiada por um grande crédito tributário. O resultado do último trimestre ficou abaixo da previsão dos analistas, que era de um lucro líquido de US$ 735 milhões. O faturamento do terceiro trimestre aumentou 23%, para US$ 24,21 bilhões, de US$ 19,74 bilhões um ano antes.

Já o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu 11%, para US$ 2,41 bilhões, de US$ 2,16 bilhões um ano antes, mas ficou 29% abaixo dos US$ 3,41 bilhões registrados no segundo trimestre. O dado também ficou ligeiramente abaixo das expectativas dos seis analistas consultados pela reportagem.

A siderúrgica disse que ainda espera entregar no segundo semestre um Ebitda mais alto do que o do mesmo período do ano passado. Os analistas esperam que o Ebitda do quarto trimestre caia para US$ 2,07 bilhões, resultando em US$ 4,48 bilhões no segundo semestre.

A ArcelorMittal respondeu por cerca de 6% a 7% da produção mundial de aço em 2010 e produziu mais do que a soma de suas duas rivais mais próximas, a chinesa Baoshan Iron & Steel e a sul-coreana Posco.

Brasil

A ArcelorMittal suspendeu os planos para expandir duas unidades no Brasil, em meio aos crescentes receios com a situação da economia global e um crescimento menor do que o esperado na demanda brasileira. A siderúrgica suspendeu o plano de expandir a unidade de João Monlevade, em Minas Gerais, e também o projeto de ampliar a produção na unidade de Vega do Sul, em Santa Catarina.

A companhia reduziu a previsão de gastos de capital (capex) de US$ 5,5 bilhões para US$ 5 bilhões este ano, segundo o diretor financeiro Aditya Mittal comentou hoje. De acordo com ele, essa redução já contabiliza a suspensão da expansão da unidade em Monlevade. “Nós estamos observando muita incerteza na economia global e um ambiente mais fraco no Brasil também. Nós suspendemos esse projeto. O aumento na demanda não está tão rápido quanto esperávamos”, avaliou.

A ArcelorMittal planejava expandir a produção de fio-máquina em Monlevade, elevando a capacidade de produtos finalizados da unidade em 1,15 milhão de toneladas por ano. Na unidade de Vega do Sul o plano era ampliar a produção de aço galvanizado por imersão a quente em 600 mil toneladas por ano e a produção de aço laminado a frio em 700 mil toneladas. As informações são da Dow Jones.