Kirin pode fazer oferta para minoritários da Schincariol

Empresa espera "manter uma relação de amizade com os acionistas minoritários”, defendeu o presidente Senji Miyake

Tóquio – A Kirin Holdings Co. disse que pode comprar a participação dos acionistas minoritários da Schincariol Participações e Representações SA que se declararam contra a compra da cervejaria.

“A Kirin quer manter uma relação de amizade com os acionistas minoritários”, disse hoje o presidente da companhia, Senji Miyake, a repórteres em Tóquio.

A Kirin, segunda maior fabricante de cerveja do Japão, anunciou nesta semana a compra da Aleadri-Schinni Participações e Representações SA, que detém 50,45 por cento da Schincariol, por cerca de US$ 2,5 bilhões. A aquisição das marcas Nova Schin e Devassa é a maior desde 2009 para a Kirin.

A Kirin disse em seu website que a compra da Schincariol é “legítima”. José Augusto Schincariol, Daniela Schincariol e Gilberto Schincariol Junior, que detêm 49,55 por cento da companhia brasileira, disseram que a transação viola o acordo de acionistas da Schincariol.

“O acordo foi fechado com os acionistas majoritários, e nós não sabíamos como os três acionistas minoritários iriam reagir”, disse Miyake. A Kirin não esperava uma disputa na justiça, disse ele.

Os acionistas minoritários “declaram não reconhecer a legitimidade de qualquer negócio envolvendo a transferência das ações para terceiros”, e podem entrar com um pedido de “exame judicial”, segundo comunicado enviado em 2 de agosto. O grupo contratou escritório Teixeira, Martins & Advogados para prestar consultoria sobre o caso, segundo o comunicado.

Projeção da Kirin

Hoje a companhia japonesa reduziu a projeção para o lucro anual devido ao terremoto seguido pelo tsunami que ocorreram em março, que devem impactar negativamente na demanda por cerveja.

O lucro líquido deve ser de 52 bilhões de yen (US$ 662 milhões) nos 12 meses até 31 de dezembro, abaixo da estimativa anterior de 58 bilhões de yen, segundo comunicado hoje da Kirin. A companhia teve custos de 16,9 bilhões de yen no primeiro semestre, relacionados com os terremotos de março.