Professor Edgar Abreu explica a importância da Educação Financeira

Influenciador afirma que educação é a base de um futuro melhor

“Na minha época as escolas ensinavam OSPB e Educação Moral e Cívica. Sim, é uma fase nostálgica e sim, eu vivenciei isso. Mas essas aulas foram tão insignificantes para a minha vida que até hoje eu não sei nem o que significa OSPB e não tenho nem vontade e curiosidade para dar uma “googlada” e ler mais sobre o assunto" conta o Professor Edgar Abreu.

A verdade é que o currículo escolar sofre alterações conforme a evolução da sociedade, ou melhor, assim deveria ser. A extinção (em 1993) dessas disciplinas citadas, criadas em um período de ditadura militar (em 1969), se deu porque se percebeu que a sociedade não tinha mais essas necessidades.

Bom, então partimos do princípio que a grade curricular das nossas escolas leva em consideração as necessidades da população. Ou pelo menos, deveria. Segundo a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDB – Lei Federal 9.394) em seu artigo 24º diz:

“Os currículos da educação infantil, do ensino fundamental e do ensino médio devem ter base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e em cada estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e dos educandos.”

Edgar faz questão de citar esse artigo pois é o único ponto de toda a lei que cita a palavra economia. A Educação Financeira nunca foi uma preocupação curricular do MEC ou então vista pelas escolas privadas como um complemento dos seus conteúdos obrigatórios (disciplinas transversais).

Claro a maioria das pessoas, com pouco conhecimento sobre o assunto, deve pensar que para se especializar em tal assunto, é necessário que o aluno faça uma graduação em economia após a conclusão do nível médio. Concordamos, mas não estamos aqui falando em formar especialistas, mas sim em dar às crianças e aos adolescentes uma noção mínima do que é o dinheiro, seu valor no tempo, no trabalho, remuneração, juros, crédito, endividamento, gastos, enfim, economia.

A decisão financeira cerca o indivíduo em toda a sua vida. Quando criança aprendemos a pedir, ouvir o sim e na maioria das vezes o não. Não entendemos por que nossos pais devem sair para trabalhar, escutamos que é para ganhar dinheiro, mas não sabemos o valor desse dinheiro.

Quando os pais têm a iniciativa de nos educar, a grande maioria faz sem formação e conhecimento técnico para tal, já que hoje você pode se tornar um médico ou um advogado sem nunca ter aprendido o que é inflação, PIB, juros compostos, ou pior, achar que o cheque especial oferecido pelos bancos é algo realmente especial como o nome sugere. Bom, mas pelo menos os pais estão tentando suprir essa necessidade educacional que o estado e as escolas insistem em ignorar, é louvável.

"Ainda lembro do meu primeiro cofrinho, mas não me lembro da minha primeira aplicação financeira. Naquela época tudo que eu juntava eu gastava. Era uma economia quase que perfeita, em que poupança era igual ao consumo e não existia preocupação com o futuro, apenas com o presente e os presentes que podia comprar com a minha poupança de curto prazo" conta o professor.

Por falar em poupança (ato de poupar), certamente se um dia alguém aconselhasse a guardar parte do ganha para ter uma reserva caso surgissem eventuais emergências ou, até mesmo, para conseguir consumir algo maior no futuro, certamente iriamos recorrer a uma caderneta de poupança. Afinal de contas, esse era o único meio de poupar daquela época. Mas será que ainda é?

Os anos se passaram e o dinheiro continua aplicado na caderneta de poupança. Para mais de 80% da população que investe, esse é o destino escolhido. Os cofrinhos continuam por aí, nas casas das crianças, sendo quebrados, sendo consumidos. A palavra juros para a grande maioria das pessoas é, infelizmente, sinônimo de pagar. O que muitas não sabem é que poderia ser de receber – isso se você decidisse não consumir tudo que ganha e poupasse parte da sua renda, tornando-se um investidor.

Hoje existem alguns (poucos) projetos de educação financeira de sucesso, são casos isolados, verdadeiras exceções. A aposta do momento é na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) – que estabelece referências para os currículos escolares no País para os próximos anos – que classificou a educação financeira e para o consumo como habilidades obrigatórias entre os componentes curriculares.

Aparentemente alguém está nos apresentando uma projeção de futuro melhor. Porém é importante lembrar que o futuro é nada mais que o presente acrescido de juros. E nesse cenário só esperamos ter “dinheiro” suficiente para conseguirmos pagar esse atraso. Afinal, a verdade é uma só: a educação brasileira está sucateada e infelizmente não temos profissionais, muito menos alunos, capazes de ao menos conseguir calcular o tamanho do prejuízo.

Saiba mais sobre o Professor Edgar Abreu através do Instagram: instagram.com/prof.edgarabreu