Augusto Freire conta como deu a volta por cima e hoje é referência entre os cabeleireiros de Goiânia

Nada vem fácil nessa vida – essa é uma verdade que os bem-sucedidos conhecem bem. Não é incomum que pessoas que se tornaram referências em suas áreas tenham passado por uma trajetória marcada por lutas e momentos difíceis. 

Natural de Jussara, nascido em 1993, Augusto Freire atua como cabeleireiro desde 2012 e conheceu de perto as dificuldades da vida, se mudando de sua terra natal com apenas 17 anos em busca de trabalho e oportunidades.

"Lembro de estar voltando a pé numa estrada escura, de noite, no meio de uma chuva forte. De um lado só via mato e do outro só pasto, sentindo frio, fome e uma enorme solidão", comenta Augusto. Apesar das perspectivas negativas, após muita procura, encontrou um emprego para ser costureiro em uma confecção. 

Seu salário era de 250 reais ao mês e ainda precisava conciliar a jornada de trabalho de 10 horas com suas aulas do ensino médio. Nessa época, passou a morar com uma prima em um barracão na cidade de Senador Canedo e a rotina era extremamente maçante. "Tudo que eu tinha era um fogão e um colchão no chão. Quando uma chuva forte alagou o barracão inteiro, passei a ter que dividir a cama de solteiro de minha prima por um bom tempo."

Augusto conta que sobreviviam com pequenas quantidades de mantimentos que arranjavam de sua tia – um saquinho de arroz, um de feijão, açúcar, café e algumas batatas. Qualquer coisa além disso era um enorme luxo para eles.

Quando foi demitido do emprego da confecção teve que voltar para casa, mas não conseguiu ficar lá por muito tempo, já que não tinha uma boa convivência com seu padrasto. Voltou para trabalhar na confecção e morar com sua prima, ganhando um pouquinho melhor, mas a sorte trouxe um novo revés e Augusto se viu demitido novamente.

Foi então que descobriu que seu padrasto tinha uma parente na cidade de Trindade, que possuía um salão de beleza. Conseguiu convencê-la dizendo que tinha alguma experiência como cabeleireiro, e então se mudou para morar com ela. "Quando eu cheguei ela percebeu de cara que eu não era tudo aquilo, mas me deixou ficar e passou a me ensinar. Então eu ajudava cuidando e limpando o salão por quase um ano".

A relação dos dois foi por água abaixo quando Augusto foi demitido, sem saber o que teria causado sua demissão e sem ter para onde ir, precisou ficar de favor na casa de um primo, até que conseguiu um emprego em um salão melhor na cidade de Senador Canedo–GO. Sobre o fato da demissão descrito no acima, depois de um bom tempo descobriu que foi demitido por uma injustiça, onde o mesmo prefere não tornar público.

Ainda assim, precisava complementar a renda com dois empregos – o salão de dia e um restaurante a noite, sendo chapeiro. Fez alguns outros bicos também, como trabalhar em uma pastelaria. Foi aí que uma oportunidade bateu, e ele acabou conhecendo a dona de um salão ainda melhor. Passou a trabalhar lá e a divulgar seu trabalho de forma mais profissional.

"Nesse período, Deus colocou um anjo em minha vida – Rita Chaves. Ela me cedeu um espaço em seu salão para atender minhas clientes, sem cobrar nada. Eu pude montar meu primeiro salão e tive momentos muito felizes". Foi assim que conseguiu conquistar os primeiros louros do sucesso profissional, como comprar seu primeiro carro. "Comecei a crescer, e as pessoas faziam filas pela calçada. Eu ficava louco, mas atendia todas as clientes."

Foi então que percebeu que Senador Canedo estava pequena para suas ambições, e resolveu se mudar para trabalhar Goiânia, ainda em 2018. Passou a atender em salões cada vez maiores, até seu nome estar entre os melhores profissionais do ramo em Goiânia. O exemplo de Augusto mostra que é necessário perseverar, ter resiliência e um objetivo bem definido para se manter seguro em sua jornada.