José Cuervo: a tequila vai à bolsa

A lendária fabricante de tequila mexicana José Cuervo, que detém 30% do mercado mundial da bebida, vai fazer a sua oferta pública de ações (IPO) hoje na Bolsa de Valores da Cidade do México. O total levantado deve girar em torno dos 700 milhões de dólares e será utilizado principalmente para o aumento do número de produtos e a expansão para novos mercados. Criada em 1758 por Don José Antonio de Cuervo na cidade de Tequila, até hoje a companhia é controlada pela família.

De acordo com o presidente da empresa, Juan Domingo Beckman, da sexta geração dos Cuervo, o IPO está no radar da empresa há pelo menos dez anos. Ele passou a se tornar mais concreto depois do acordo com a gigante do ramo de bebidas Diageo, no qual a José Cuervo trocou uma de suas marcas de tequila, a Don Julio, por uma marca de whisky, a Bushmills, e começou a aumentar seu portfólio. Antes disso, a Diageo já havia tentado comprar o controle da José Cuervo em 2012.

No último ano, a abertura de capital foi adiada pelo menos duas vezes por causa da insegurança causada pela eleição americana. Isso acontece porque cerca de 75% das vendas de bebidas da José Cuervo são direcionadas para os mercados americano e canadense beneficiadas pelo acordo de livre comércio (NAFTA), que está sendo questionado por Donald Trump.

Nos papéis do prospecto de IPO, a José Cuervo mostrou um faturamento de 962 milhões de dólares em 2015 – com cerca de 250 milhões de lucro – e 590 no primeiro semestre de 2016. Inicialmente, previa-se que o total arrecadado com a oferta poderia chegar a um bilhão, mas a queda do peso mexicano e a volatilidade do mercado fizeram o valor cair. Ainda assim, o negócio é considerado ótimo para a empresa e para a família Beckman, que deve continuar como controladora.