Johnson & Johnson vê crescimento de um dígito em 2017

Apesar de um crescimento abaixo de 10%, a companhia acredita que o cenário é mais positivo para as vendas em volume de unidades.

São Paulo – A Johnson & Johnson vê no Brasil um cenário de vendas mais positivo para 2017 na comparação com o ano passado, em especial no segundo semestre.

Durante evento da Câmara Americana de Comércio (Amcham), a chairman Suzana Rivetti, responsável pela operação na América Latina do grupo de consumo, afirmou que a companhia ainda espera um crescimento da ordem de um dígito, em vez de dois (abaixo, portanto, de 10%), mas avaliou que o cenário é mais positivo para as vendas em volume de unidades.

“Acredito que no segundo semestre vamos acelerar o crescimento e esse primeiro semestre deve ser mais difícil para o mercado em que atuamos”, afirmou. “Mas 2017 deve ter uma combinação de volume e preço melhor”, disse.

Segundo Rivetti, o ano de 2016 trouxe bons resultados até o terceiro trimestre, ainda que o ambiente tenha sido mais difícil no último trimestre do ano.

Ela destacou, porém, que os resultados do ano passado foram impulsionados mais por reajustes de preços do que por crescimento de vendas em volume. Essa equação tende a melhorar em 2017, disse.

O volume de vendas de bens de consumo tem sido afetado por uma mudança no comportamento dos consumidores nos canais de venda do varejo, como supermercados.

Dados da McKinsey apresentados durante o evento da Amcham apontam que 23% dos consumidores deixaram de comprar suas marcas preferidas e as substituíram por marcas mais baratas.

Há ainda um grupo de 46% de consumidores que continuou comprando as mesmas marcas, mas fez ajustes como reduzir a quantidade comprada ou comprar apenas em promoções.

Apesar do cenário, Rivetti considerou que grandes multinacionais, como a Johnson & Johnson, ainda devem continuar acreditando no potencial de consumo dos brasileiros.

“Nas multinacionais, precisamos fazer uma reflexão forte de valorizar o Brasil”, disse. “A China é um grande mercado, mas o consumidor chinês é difícil. Já o potencial do latino-americano de consumir é muito maior que o de outros países emergentes”, completou.