J&F entra na briga pela distribuidora Celpa

Distribuidora de energia está em recuperação judicial e já foi praticamente vendida a outra empresa, a Equatorial

A holding J&F, dona do frigorífico JBS, entrou na briga pela Celpa, a distribuidora de energia do Pará, que está em recuperação judicial e já foi praticamente vendida a outra empresa, a Equatorial. Na quarta-feira, a J&F enviou à Justiça uma proposta em que aceita as mesmas condições de pagamento acertadas com a Equatorial se a operação de venda, que ainda tem alguns pontos pendentes, não for concluída.

O confronto paraense é mais um lance numa disputa maior, pela Rede Energia, que controla outras oito distribuidores espalhadas pelo País. Altamente endividado e sob intervenção federal, o grupo está à venda e é cobiçado por vários candidatos.

A Equatorial saiu na frente dos outros. Em setembro, acertou a compra da Celpa, que deve R$ 3 bilhões na praça, pelo valor simbólico de R$ 1. Comprometeu-se a injetar R$ 350 milhões imediatamente na empresa e algo como R$ 350 milhões ao longo dos próximos dois anos. A proposta já foi aceita pela maior parte dos bancos credores. Mas a dívida com o governo do Pará, de mais de R$ 400 milhões, ainda está em aberto. Sem esse acerto, o negócio não pode ser consumado.

A J&F está no calcanhar da Equatorial, fazendo figa para que sua rival não consiga fechar o acordo. Tanto que, no documento enviado à Justiça, assume o compromisso de apresentar uma proposta para quitar as dívidas com o governo do Pará no prazo de 48 horas, contados a partir do momento em que sua oferta for aceita pelos bancos. “

A J&F entrou no processo com uma proposta concreta, mas vai ter de aguardar”, afirmou a juíza Maria Filomena Buarque, da 13ª Vara Cível de Belém, responsável pela recuperação. “A Equatorial está na frente, já tem contrato de compra e venda assinado. Mas há pendências que precisam ser resolvidas e a empresa tem até 1° de novembro para fazer isso”.

A juíza conta que a recuperação da Celpa é tão complicada que só o processo principal já tem uma pilha com mais de 17 mil páginas, sem contar outros 500 documentos enviados por credores que querem entrar na fila para receber. “Até a presidência do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), que é um dos principais credores, ligou para acompanhar o caso.” As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.