Itaú Unibanco prevê crescer até 13% em crédito em 2014

A previsão é inferior à projeção inicial para o ano passado, de crescimento de 11% a 14%

São Paulo – O Itaú Unibanco espera que a sua carteira de crédito total cresça no mínimo 10% e no máximo 13% em 2014. A projeção está mais agressiva do que a revisada para 2013, de expansão de 8% a 10%, no entanto inferior à projeção inicial para o ano passado, de crescimento de 11% a 14%.

Quanto à projeção para despesas de provisões para créditos de liquidação duvidosa líquidas de recuperação de créditos, o banco espera que esses gastos somem de R$ 13 bilhões a R$ 15 bilhões em 2014, abaixo da projeção para 2013, de R$ 19 bilhões a R$ 22 bilhões.

As receitas de serviços, incluindo os ganhos com operações de seguros, previdência e capitalização menos as despesas com sinistros e os gastos de comercialização de seguros, previdência e capitalização devem avançar de 12% a 14% em 2014 – faixa menor que a projetado para 2013, de alta de 15% a 18%.

O Itaú Unibanco espera que as despesas não decorrentes de juros tenham crescimento de no mínimo 10,5% e de no máximo 12,5% neste ano. Sem considerar a Credicard, esses gastos devem subir, segundo a instituição, entre 5,5% e 7,5%.

No ano passado, a meta era mais agressiva: de alta de 4% a 6%. Já o índice de eficiência do Itaú de eficiência do Itaú deve apresentar em 2014 melhoria de 0,5 ponto porcentual a 1,75 ponto porcentual.

O Itaú explica, em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, que embora os planos de crescimento e projeções de resultados “sejam baseados em premissas da administração e em informações disponíveis no mercado até o momento, tais expectativas envolvem imprecisões e riscos difíceis de serem previstos, podendo, dessa forma, haver resultados ou consequências que diferem daqueles aqui antecipados”, explica.

Segundo o banco, estas informações não são garantia de performance futura. Além disso, as expectativas para 2014 não contemplam os efeitos das operações do chileno CorpBanca, cuja fusão com o Banco Itaú Chile (BIC) foi anunciada na semana passada.


Inadimplência

A inadimplência do Itaú Unibanco, considerando os atrasos superiores a 90 dias, diminuiu de 3,9% em setembro para 3,7% em dezembro, em linha com a projeção de analistas que esperavam continuidade na melhora da qualidade dos ativos da instituição. Este é o sexto declínio consecutivo trimestral do indicador. Em um ano, os calotes diminuíram em 1,10 ponto porcentual.

“Esse indicador atingiu o menor valor desde a fusão entre o Itaú e o Unibanco, influenciado principalmente pela mudança do perfil de crédito da nossa carteira”, destaca a instituição, em relatório que acompanha as suas demonstrações financeiras.

Segundo o Itaú, a melhora do índice de inadimplência foi possível graças às reduções em pessoas físicas e jurídicas. Na pessoa física, os calotes tiveram melhora de 0,2 e 1,1 ponto porcentual quando comparados com o trimestre anterior e com o mesmo período do ano anterior, respectivamente, para 5,8%.

Já na pessoa jurídica, a inadimplência do Itaú diminuiu 0,3 e 1,2 ponto porcentual em relação ao período anterior e ao quarto trimestre de 2012, nesta ordem, para 2,0% ao final de dezembro.

O Itaú informa, em relatório, que vendeu ativos financeiros de sua carteira imobiliária com retenção dos riscos transferidos por meio de aquisição de CRI – Certificados de Recebíveis Imobiliários – no valor de R$ 4,233 bilhões.

“Por esse motivo, tais créditos permaneceram em nossa carteira de crédito e não surtiram qualquer efeito em nossos índices de inadimplência”, explica o banco.


As despesas com provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, do Itaú somaram R$ 4,191 bilhões no quarto trimestre de 2013, recuo de 7,6% ante o terceiro trimestre. No ano de 2013, esses gastos foram a R$ 18,579 bilhões, cifra 23,3% menor do que a registrada em 2012.

A redução das despesas com PDDs beneficiou, conforme relatório que acompanha as demonstrações financeiras do Itaú, o resultado de créditos de liquidação duvidosa, líquido das recuperações de créditos, que totalizou R$ 2,792 bilhões no quarto trimestre de 2013, com redução de 13,8% em relação ao trimestre anterior.

Já as receitas de recuperação de créditos baixados como prejuízo seguiram em trajetória crescente. Somaram R$ 1,399 bilhão nos três últimos meses de 2013, alta de 7,9% ante os três meses imediatamente anteriores.

O Itaú informou ainda que o seu saldo de PDDs alcançou R$ 26,371 bilhões no quarto trimestre, aumento de 2,8% ante o trimestre anterior. Em 12 meses, porém, foi visto declínio de 5,0%, conforme o banco.

“O saldo da provisão complementar à mínima requerida pela resolução nº 2.682/99 do Conselho Monetário Nacional foi aumentado em R$ 159 milhões, atingindo R$ 5,217 bilhões ao final do quarto trimestre de 2013, em função da consolidação da Credicard”, explica o banco.