Itaú diz ter conseguido enfrentar crise “bastante bem”

De acordo com presidente, hoje a carteira de crédito do Itaú tem menos risco em geral do que no passado, incluindo o segmento de atacado

São Paulo – O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, afirmou nesta quarta-feira, 8, que a instituição conseguiu enfrentar o momento atual, de crise no Brasil, ‘bastante bem’.

Questionado por analistas sobre os motivos que levaram o banco a entregar o resultado, apresentado na quarta-feira, 7, antes da abertura do mercado, ele disse que os erros acontecem, mas que o banco aprendeu com os seus erros.

“Erramos bastante em 2011 e 2012 diante do ritmo de crescimento Brasil. Acreditamos mais do que deveríamos que aquilo era mais sustentável. Depois, revisamos nossa política de crédito e nossa modelagem”, destacou o executivo.

De acordo com Setubal, hoje a carteira de crédito do Itaú tem menos risco em geral do que no passado, incluindo o segmento de atacado. “Nossa gestão está mais focada em portfólio e em não ter tanta volatilidade no balanço do banco”, acrescentou ele.

Receitas

Sobre a possibilidade de capturar mais receitas, o executivo afirmou que o banco está “bastante atento a oportunidades” de fazer mais receitas.

Ponderou, contudo, que a instituição não vê possibilidade de expandi-las em patamar maior do que a faixa prevista em seu guidance para 2017.

“Há muita coisa em cartão em discussão e há muita incerteza em torno disso. Acreditamos que tudo que está sendo discutido está dentro do guidance”, disse Setubal.

Para este ano, o Itaú espera que suas receitas de prestação de serviços e resultado de seguros cresçam de 0,5% a 4,5% no consolidado e de 0,0% a 4,0% no Brasil.

No ano passado, esses ganhos foram 4,9% maiores no consolidado, em linha com a projeção de alta de 4,0% a 7,0%.

No critério Brasil, as receitas de serviços e seguros aumentaram 5,9%, também em linha com o guidance, de aumento de 4,5% a 7,5%.

Índice de cobertura

O índice de cobertura do Itaú Unibanco deve diminuir para uma faixa entre 200% e 180% nos próximos dois anos em meio à melhora da inadimplência, de acordo com Roberto Setubal.

Ele destacou, contudo, que o saldo de provisões é dinâmico e sofre influências de mudanças regulamentares como, por exemplo, a exigência para que os bancos constituam provisões para avais e fianças e ainda a entrada em vigor do IFRS 9, em 2019, que determina que os bancos façam provisões conforme a perda esperada.

“Não temos compromisso com PDD complementar, mas em manter o balanço do banco bastante bem provisionado, com padrão adequado ao risco que queremos correr”, destacou Setubal, em teleconferência com analistas e investidores.

Segundo ele, a PDD complementar em 2017 tende a ser melhor neste ano. O banco, acrescentou Setubal, irá consumir esse colchão à medida que clientes atuais entrarem em atraso. “Essa PDD sai da complementar e passa a ser exigida. Não vamos constituir novas PDDs para o mesmo crédito se as mesmas já estão feitas, mas não temos compromisso com esse número”, explicou o executivo.

O saldo de PDDs do Itaú encerrou 2016 em R$ 37,4 bilhões, ante R$ 36,0 bilhões um ano antes e R$ 39,1 bilhões ao final de setembro. Do total, R$ 10,4 bilhões equivaleram a provisões complementares, R$ 11,0 bilhões genéricas e R$ 15,9 bilhões específicas.

Capital

Setubal acrescentou ainda que o banco trabalha para ficar com capital principal acima dos 12%.

O indicador, conforme explica o banco em relatório que acompanha suas demonstrações financeiras, caso se aplicasse de imediato e integralmente as regras de Basileia III estabelecidas pelo Banco Central, seria de 14,0% em dezembro de 2016, considerando o pagamento adicional de juros sobre capital próprio previsto para março de 2017, a consolidação do varejo do Citi no Brasil (impacto estimado com base em informações preliminares), além do consumo do crédito tributário.

“Estamos gerando muito mais capital do que estamos usando. Podemos ter payout de 45% (ante faixa projetada de 35% a 45%) em 2017 caso o resultado deste ano seja semelhante ao de 2016”, antecipou o presidente do Itaú.

Garantec

O presidente do Itaú Unibanco afirmou que o banco desativou a carteira de seguro garantia estendida da instituição, a Garantec. O movimento contribuiu, conforme o executivo, para a queda de 7% das despesas com sinistros no ano passado em relação a 2015.

O Itaú tentava, conforme antecipou o Broadcast (serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado), vender a operação de seguro de garantia estendida no âmbito da sua estratégia de priorizar segmentos de menores riscos. Antes de optar pela descontinuidade da Garantec, o grosso do negócio já tinha passado para as mãos da Zurich, que assumiu o contrato da Via Varejo.

O resultado de seguros do Itaú somou R$ 8,3 bilhões em 2016, volume 5,7% menor do que o registrado no ano anterior, de R$ 8,9 bilhões.

Crescimento de carteira

O Itaú Unibanco não aposta em um crescimento “muito vigoroso” da carteira de crédito em 2017, de acordo com o CEO adjunto do banco, Candido Botelho Bracher. “Vemos a recuperação da economia sólida, mas lenta em 2017”, destacou ele, que assume a presidência definitiva do banco após a saída de Roberto Setubal, em abril.

O executivo comentou, em teleconferência com analistas e investidores, os guidances do Itaú para 2017. Ressaltou que o banco espera que suas provisões para devedores duvidosos, as chamadas PDDs, sejam menores do que foram no ano passado.

O Itaú espera que o resultado de despesas com provisões para devedores duvidosos e impairment fique entre R$ 14,5 bilhões e R$ 17,0 bilhões em 2017 no consolidado e entre R$ 12,5 bilhões e R$ 15,0 bilhões no critério Brasil. Em 2016, o resultado de créditos de liquidação duvidosa ficou em R$ 22,4 bilhões no consolidado, em linha com o intervalo projetado de R$ 23,0 bilhões e R$ 26,0 bilhões. No Brasil, foi a R$ 20,2 bilhões, também em linha com a faixa estimada, de R$ 21,0 bilhões a R$ 24,0 bilhões.