Intranet turbinada

Portal corporativo - a nova aposta da AmBev

Já faz mais de um ano que Bill Gates e sua turma não param de falar da nova estratégia da Microsoft, chamada .Net (pronuncia-se ponto-net). Apesar das insistentes explicações, poucos puderam entender de fato como funciona e para que serve a novidade. A AmBev, a maior cervejaria brasileira, pagou para ver. No mês que vem, entra no ar seu novo portal corporativo. Trata-se do maior projeto .Net em andamento no Brasil.

Apesar do nome pomposo, portal corporativo é basicamente uma versão turbinada das conhecidas intranets. A AmBev aposta que, com as novidades tecnológicas, a rede interna possa ser mais do que um simples meio de divulgação de informação e se torne uma ferramenta de gestão e um depósito inteligente de todo o conhecimento da empresa. “O portal corporativo será uma ferramenta de gestão fundamental para todas as companhias”, diz João Castroneves, diretor de tecnologia da AmBev.

Do ponto de vista tecnológico, a principal característica do portal está nos bastidores: a conexão entre computadores. Os usuários finais, que devem chegar a 5 000 até o fim de 2002, verão na tela uma simples página da internet. Mas as informações ali apresentadas virão de diversos computadores, da própria AmBev e de fornecedores externos, todos conectados pela internet. Quando um funcionário preencher uma solicitação de viagens no portal da AmBev, ele estará conversando, na realidade, com uma agência de viagens. Eis a idéia fundamental da tecnologia .Net: buscar dados em qualquer computador ligado à rede e traduzi-los automaticamente para uma página de internet (que pode ser acessada tanto de um computador quanto de um telefone celular ou de um computador de mão).

Para a AmBev, isso se traduz em dois benefícios fundamentais. O primeiro é a comunicação interna. A idéia é que todas as áreas de negócio da empresa, em qualquer ponto do país, utilizem um único sistema para troca de informações. Além do e-mail, há recursos de mensagens instantâneas, salas de bate-papo e teleconferência. O objetivo é economizar dinheiro com viagens e telefonia. Outra possibilidade que os executivos da Microsoft gostam de propagandear é que pessoas em locais diferentes podem trabalhar numa mesma planilha de custos, por exemplo. “Você abre um documento em seu computador em São Paulo e pode alterá-lo a quatro mãos com um colega em qualquer parte do país”, diz Juliano Tubino, gerente de marketing para os produtos .Net no Brasil. Segundo Tubino, em comparação com o vaivém de e-mails e telefonemas de confirmação, isso representa ganhos de produtividade. Se esse ganho vai aparecer nas contas da empresa, só o tempo dirá.

O segundo foco é a gestão do conhecimento. Aqui, a idéia é criar bancos de dados com experiências e procedimentos que hoje em dia se perdem a cada projetoconcluído. “Todas as
informações de todos os projetos em andamento na AmBev passarão pelo portal”, diz Castroneves. “O objetivo é evitar que etapas comuns a qualquer projeto se repitam. Além disso, vamos disseminar por toda a empresa o acesso às melhores práticas.”

Trata-se de um plano ambicioso. Na fase inicial, o portal deve ter até 2 000 usuários nas 50 unidades da AmBev espalhadas pelo país. A empresa não revela o quanto está pagando pelo pioneirismo do projeto, implementado em conjunto pela consultoria Accenture e pela Avanade, uma associação da Microsoft com a própria Accenture. Mas os portais corporativos estão entre as prioridades de diversas empresas para 2002. A questão, agora, é saber se o que Bill Gates prometeu realmente funciona.