Intenções da Posco na Índia colocam em risco usina no Brasil

<EM>Memorando de entendimento, assinado hoje pela empresa coreana, prevê a construção de uma planta siderúrgica na Índia no valor de 12 bilhões de dólares</EM>

A coreana Posco, quinta maior siderúrgica do mundo, assinou nesta quinta-feira (23/6) um memorando de entendimento para a construção de uma usina de 12 bilhões de dólares em Orissa, na Índia. O investimento é considerado audacioso e, se implementado, será o maior já realizado na Índia por uma empresa estrangeira.

O acordo entre a Posco e o governo indiano deixa dúvidas sobre a viabilidade de uma outra planta vir a ser construída no Brasil. Há um mês, a companhia coreana havia assinado um memorando de intenções com o governo brasileiro, prevendo a construção de uma fábrica de placas de aço no Maranhão, no valor de 2,5 bilhões de dólares. O projeto seria executado em parceria com a Vale do Rio Doce.

Os estudos de mercado sobre as usinas indiana e brasileira estão em curso, por isso detalhes ainda não foram divulgados. A empresa coreana também não descartou a possibilidade de vir a construir as duas usinas. Sabe-se, porém, que a planta de Orissa terá uma capacidade produtiva de 12 milhões de toneladas de aço por ano, enquanto a previsão para o Maranhão é de 7,5 milhões de toneladas.

As siderúrgicas de todo o mundo vivem uma fase de euforia, graças à demanda do mercado chinês. Justifica-se, portanto, a construção de uma usina próxima ao principal consumidor do mundo atualmente. A seu favor, o Brasil tem os benefícios fiscais, como a MP do Bem, que reduziu o IPI de bens de capital para empresas exportadoras.