Inglaterra vive novo escândalo bancário

Principais bancos ingleses vendiam seguro para crédito com riscos que não eram revelados aos clientes

São Paulo – A Inglaterra está novamente vivendo um escândalo da indústria bancária, poucas semanas depois da descoberta da manipulação da taxa Libor por parte de algumas instituições britânicas, sobretudo o Barclays. De acordo com uma reportagem especial publicada pela agência de notícias Reuters, os bancos ingleses estariam vendendo produtos bancários sem especificar com clareza as condições e riscos a que os tomadores de empréstimo estariam sujeitos. O resultado é catastrófico: sem condições de arcar com os custos de uma dívida que nem sabiam que era tão alta, clientes estão perdendo bens e indo à falência.

Quem pegou dinheiro emprestado entre 2001 e 2008, teve de pagar uma swap – uma mecanismo de proteção contra um possível aumento da taxa básica de juros. O que não estava previsto nos contratos, porém, era o possível recuo dos juros – ocorridos para estimular a tomada de crédito em tempos de crise. Os bancos não explicaram que, quando a taxa caísse, os tomadores também teriam de pagar por ela. O seguro que já havia sido pago não cobria a queda da taxa, apenas a alta. Desde 2008, quatro novos cortes levaram a taxa básica inglesa para 0,5% ao ano.

Desde junho deste ano, Barclays, HSBC, Lloyds and Royal Bank of Scotland (RBS), os principais credores da Ingalterra, além de sete bancos menores, concordaram em rever sua taxa de juros depois que o Serviço de Autoridade Financeira, agência reguladora dos bancos britânicos, alertou que encontrou falhas graves na forma como os produtos foram vendidos para as pequenas empresas tomadoras de empréstimo. Segundo a reportagem, os maiores credores ingleses de pequenos empresas, Barclays e RBS, colocaram em seu balanço provisões de 450 milhões de libras e 50 milhões de libras, respectivamente, referentes a possíveis perdas com swaps – contudo, a expectativa é de que instituições menores possam ter problemas mais graves com tais operações.

De acordo advogados que defendem empresas lesadas pela prática dos bancos, as instituições não explicaram adequadamente a complexidade e os riscos envolvidos nos produtos que estavam vendendo. Segundo a Reuters, bancos mostraram uma estratégia agressiva de vendas de produtos. Os funcionários, sob extrema pressão, não cumpriram a regulação, que prevê o esclarecimento de todas as condições previstas para a venda de produdos de forma “clara, justa e não enganosa” .

O preço final da trapalhada bancária ainda não foi estimado por autoridades britânicas. Os contratos de seguro contra variação cambial foram adquiridos por apenas 28 mil pequenas empresas, segundo a reportagem. Contudo, a Reuters apurou que o número de clientes pessoa física lesados ultrapassa um milhão.