Impostos, meio-ambiente e lucro: os desafios da Amazon

A empresa divulgará seu balanço fiscal de 2019 na espreita de um imposto digital europeu e pressionada a rever sua pegada climática

São Paulo — Depois de atingir o recorde de 3,5 bilhões de entregas realizadas no último ano, a Amazon, número um do varejo digital global, irá divulgar o balanço de seu 4° e último trimestre fiscal de 2019 nesta quinta-feira 30.

Os números devem vir acompanhados de desafios. Enquanto na Europa a discussão sobre um imposto digital sobre gigantes norte-americanas ganha corpo, nos Estados Unidos a Amazon vem sendo pressionada a adotar políticas que reduzam sua pegada ambiental.

No último final de semana, mais de 350 funcionários da varejista contribuíram com declarações focadas nas práticas climáticas da companhia, desafiando as políticas da gigante do comércio eletrônico em publicações na plataforma digital Medium.

Os funcionários são membros da Amazon Employees for Climate Justice, organização que está em campanha há mais de um ano para pressionar a empresa a se comprometer na redução de emissões de gases do efeito estufa.

Em setembro do ano passado, o CEO da Amazon, Jeff Bezos, anunciou uma iniciativa destinada a zerar as emissões de carbono da companhia até 2040 e incentivar outras empresas a fazer o mesmo.

Na outra mão, funcionários que exigiram publicamente ações mais agressivas da companhia para combater mudanças climáticas foram advertidos de que violaram a política da Amazon e a companhia informou que mais infrações podem terminar em demissões, segundo o Employees for Climate Justice.

No último trimestre fiscal da Amazon, a empresa registrou lucro de 2,13 bilhões de dólares. O aumento com despesas operacionais, custos de vendas, despesas com marketing, custos com tecnologia e conteúdo fizeram o lucro da companhia cair 26% em relação ao período imediatamente anterior. Para o 4° trimestre, a Amazon espera lucro até 2,9 bilhões de dólares ante 3,8 bilhões para o mesmo período de 2018.

Outro desafio para a Amazon é um debate cada vez mais encorpado na Europa sobre taxar companhias da dimensão da varejista, como Google e Facebook.

Na semana passada, o secretário-geral da Organização para o Desenvolvimento Econômico e Cooperação (OCDE), Angel Gurría, disse, durante o Fórum de Davos que espera lançar as bases para um imposto digital internacional sobre gigantes de tecnologia ainda este ano. O governo francês também estava empenhado no novo imposto, mas após um acordo com Donald Trump, também em Davos, adiou a ideia.