Iguatemi vê pouco espaço para aquisições e aposta em projetos próprios

Até 2011, três novos shoppings devem ser lançados; neste ano, a administradora já inaugurou uma unidade em Brasília

São Paulo – O bom momento da economia brasileira está sendo bem aproveitado pelas administradoras de shoppings centers. Para 2010, a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) prevê incremento de 12% nas vendas do setor, 21 inaugurações em grandes capitais e cidades do interior e mais de 79 bilhões de reais em faturamento.

O mercado aquecido tem levado as principais companhias do setor a uma luta acirrada pela liderança. Especialistas apontam que, devido à pulverização das redes de shopping pelo país, há espaço para a consolidação por meio de aquisições. Essa é a estratégia que catapultou a BR Malls nos últimos anos. Em contrapartida, o Iguatemi vê pouco espaço para aquisições e aposta em projetos próprios para crescer.

“Não está no nosso radar seguir por aquisições, a gente quer crescer, e especialmente por greenfield [projetos construídos do zero]“, afirmou Cristina Betts, vice-presidente financeira e diretora de relações com investidores em teleconferência de resultados, hoje (12/5) (clique aqui para ver a cobertura da teleconferência). A estratégia da empresa é estar nas regiões sul e sudeste do país, com empreendimentos para as classes A e B, e ela não vê muitas opções de aquisições dentro desse perfil.

No primeiro trimestre de 2010, a Iguatemi investiu (líquido de luvas) 29,6 milhões de reais em seus seis projetos greenfield. A expectativa é investir mais 189,9 milhões de reais em 2010. Dos seis projetos, o Iguatemi Brasília foi inaugurado em março, e a previsão é lançar, até o final de 2011, os shoppings de Alphaville, Ribeirão Preto e mais um em São Paulo (o JK Iguatemi). A unidade de Jundiaí deverá ser inaugurada em 2012, e a de São José do Rio Preto em 2014.

Projeto em Brasília

O Iguatemi possui 64% do empreendimento inaugurado em Brasília e é a administradora do shopping. Ele foi inaugurado com 95% da ocupação. “Foi a primeira vez que marcas internacionais chegaram ao país fora do Rio – São Paulo” afirmou Carlos Jereissati Filho, presidente da Iguatemi.

O investimento total do projeto em Brasília, líquido de luvas, foi de 182 milhões de reais, sendo que o investimento da Iguatemi foi de 116,5 milhões de reais. O resultado operacional esperado para o primeiro ano de operação é de 31 milhões de reais, e a taxa interna de retorno real e desalavancada estimada é de 16,9%.


Entre os empreendimentos previstos para 2011, os mais adiantados são o Iguatemi Alphaville, que está em construção e com 70% da área bruta locável comercializada, e o JK Iguatemi, que também está em construção e teve sua comercialização iniciada no primeiro trimestre no Brasil, Europa e Estados Unidos. Entre os seis, esse é o shopping em que o Iguatemi possui menor porcentagem, de 50%.

As obras ainda não foram iniciadas em São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e nem em Jundiaí, onde a Multiplan também está construindo um novo empreendimento que já está em fase de comercialização. O Iguatemi atenuou a concorrência. “Aqui em São Paulo, o shopping Vila Olímpia teve dificuldades de comercializar espaços, porque os lojistas estavam esperando o JK”, afirmou Jereissati.

A empresa ainda planeja três expansões, sendo uma no Iguatemi São Paulo, uma no Praia de Belas (Porto Alegre) e outra no Galleria Shopping Center, na cidade paulista de Campinas.

No primeiro trimestre de 2010, a receita líquida do Iguatemi foi de 56,3 milhões de reais – crescimento de 18,4% em relação a igual período de 2009. A receita bruta no primeiro trimestre de 2010 foi de 62,7 milhões de reais, um crescimento de 17,0% em relação ao mesmo período de 2009.

O lucro líquido da Iguatemi subiu 49,9% e atingiu 24,6 milhões de reais. O ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) da empresa no primeiro trimestre de 2010 foi de 35,1 milhões de reais, com margem de 62,4%. A administradora Iguatemi divulgou os resultados hoje.