Iberdrola compra distribuidora Elektro por US$2,4 bi

No Brasil, a Iberdrola integra o bloco de controle da Neoenergia, acionista majoritária das distribuidoras de energia Cosern, Celpe e Coelba, todas no Nordeste

São Paulo – A empresa de energia espanhola Iberdrola anunciou nesta quarta-feira a compra de 99,7 por cento da distribuidora brasileira de energia Elektro por 1,78 bilhão de euros (2,4 bilhões de dólares).

O negócio entre a Iberdrola e a norte-americana Ashmore Energy Internacional (AEI), antiga dona da Elektro, encerra meses de rumores sobre o interesse de diversas empresas na distribuidora brasileira, que atende a 223 municípios paulistas e cinco do Mato Grosso do Sul, totalizando 2,1 milhões de clientes. Segundo a própria companhia, a área corresponde a 11,5 por cento da energia elétrica distribuída no Estado de São Paulo.

No Brasil, a Iberdrola integra o bloco de controle da Neoenergia, acionista majoritária das distribuidoras de energia Cosern, Celpe e Coelba, todas no Nordeste.

Outro acionista relevante da Neoenergia é a Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil e que também está entre os controladores da CPFL Energia, que teria interesse na Elektro.

A Neoenergia chegou a fazer uma proposta pela Elektro, disse uma fonte à Reuters em agosto do ano passado, mas o conflito de interesse por conta da participação da Previ na Neoenergia e na CPFL teria motivado a entrada da Iberdrola na disputa. A Previ negou a informação de conflito de interesse mencionada em reportagem do jornal Valor Econômico no início deste ano.

Em comunicado à comissão de valores da Espanha, a Iberdrola disse esperar que a aquisição da Elektro seja concluída em até seis meses após a assinatura do contrato. A operação depende de aprovações regulatórias, entre as quais o aval da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

AEI vende outros ativos

Além da Elektro, principal ativo da AEI, a empresa norte-americana anunciou a venda de outras nove empresas ou participações relevantes.

As vendas, incluindo a da distribuidora brasileira, totalizam 4,8 bilhões de dólares, segundo comunicado da AEI.

De acordo com a AEI, 52,1 por cento da colombiana Promigas foi vendida a um grupo formado por Corficolombiana, Fondo de Capital Privado Corredores Capital I, Fondo de Capital Privado por Compartimenos CP-Val e Empresa de Energia de Bogota (EEB). A EEB adquiriu ainda 60 por cento da peruana Calidda.

A AEI vendeu ainda, no Chile, 50 por cento da Chilquinta e quase 38 por cento da peruana Luz del Sur para a Sempra Pipelines & Storage, além de 50 por cento da Ensa, no Panamá, e 86,4 por cento da DelSur, em El Salvador, para a Empresas Públicas de Medellin.

Na Argentina, a AEI alienou 90 por cento da Eden e 77,1 por cento da Emdersa e outros ativos para a Pampa Energia. Finalmente, 100 por cento da polonesa ENS foi vendida para o Kulczyk Group.

A AEI ainda possui ativos na Ásia, América Central “e continuará com o desenvolvimento planejado de novas usinas de geração de energia na Guatemala, no Peru, na Argentina, no Chile e na China.”

O dinheiro obtido com a venda dos ativos será usado na gestão do endividamento da AEI e em novos projetos de energia, informou a companhia.