Hyundai inicia produção de máquinas no Brasil em março

Fábrica de máquinas para construção ficará próxima do terreno da Nissan, em Itatiaia

Rio – Gigante de áreas como construção naval e engenharia offshore, a Hyundai Heavy Industries (HHI) inicia em março do ano que vem a produção de máquinas para construção no Brasil, em uma fábrica em construção em Itatiaia, no sul fluminense. O investimento de US$ 180 milhões é uma parceria com a Brasil Máquinas de Construção (BMC), distribuidora com quem formou há um ano a joint-venture BMC-Hyundai.

Apesar do fraco desempenho do setor de bens de capital este ano, a coreana antecipou as operações locais e inaugura na semana que vem uma linha de montagem de retroescavadeiras na nova sede da BMC, em Duque de Caxias (RJ).

A fábrica de Itatiaia ficará próxima ao terreno da futura montadora da Nissan, numa área de 500 mil m2. O município tem uma logística privilegiada, a meio caminho de Rio de Janeiro e São Paulo. A produção da BMC-Hyundai deve começar com 2.400 máquinas da chamada linha amarela por ano, metade da capacidade instalada. Cerca de 80% para o mercado doméstico. A perspectiva é atingir o pico de produção por volta de 2016, gerando 1.000 empregos diretos.

Será a segunda do grupo fora da Coreia – a outra fica na China e atende apenas o país – e fornecerá itens como escavadeiras, pás carregadeiras e empilhadeiras para o mercado brasileiro e toda a América Latina. A unidade tem uma área livre de 200 mil m? e deverá ser ampliada no futuro.

Segundo Armando Mantuano, diretor da BMC, esse é um projeto estratégico diante das perspectivas de realização de grandes obras de infraestrutura nos próximos anos, uma prioridade do governo Dilma Rousseff. “Até 2020 o mercado de infraestrutura e construção é o que vai acontecer no Brasil”, aposta Mantuano.


Além disso, o índice de nacionalização de 60% é uma exigência para credenciar as máquinas Hyundai a utilizarem a linha de financiamento PSI Finame, do BNDES, que opera com taxa de juros de 2,5% ao ano – juro real negativo -, pelo menos até dezembro, e responde por 30% das vendas do setor. A americana Caterpillar, principal concorrente da Hyundai, já tem produção local.

O presidente da BMC, Felipe Cavallieri, admite que 2012 foi um ano ruim e que a empresa está comemorando a perspectiva de manter o faturamento de 2011, de R$ 680 milhões – ante uma previsão inicial de atingir faturamento de R$ 1 bilhão. Em 2013 a perspectiva é de uma alta de 13% nas vendas do atual portfólio, podendo atingir o primeiro bilhão com os novos contratos de distribuição assinados com a suíça Amman e a irlandesa Terex. O número deve saltar para R$ 3 bilhões até 2015.

A “tática de guerrilha” da BMC, de vendas pulverizadas a pequenos locadores de máquinas, tem ajudado a empresa a sofrer menos com o desaquecimento do mercado. A união com a Hyundai, por outro lado, vai possibilitar à empresa iniciar “conversas de gente grande”, diz Mantuano, citando Queiroz Galvão e Odebrecht.

O presidente da Hyundai para o Brasil, Sam Yoon, vai inaugurar a linha de Caxias na quinta-feira da próxima semana. Com investimento de R$ 1,5 milhão ela produzirá 60 máquinas por mês. A ideia é usar a linha – coordenada por coreanos – para qualificar mão de obra. A unidade também vai armazenar até 200 máquinas e peças que darão suporte à fábrica. A HHI tem outros negócios no Brasil, como a parceria com a OSX, braço de construção naval do grupo de Eike Batista, para construir uma base no Porto do Açu, em São João da Barra (RJ).

O acordo da BMC com a Hyundai prevê participações cruzadas na fabricação (onde os coreanos serão majoritários) e na distribuição, reunidas numa holding. Criada há cinco anos, a BMC entrega máquinas de marcas como a americana Link Belt, a chinesa XCMG e a italiana Merlo em todo o País, com 38 centros de distribuição.