Houve abuso de poder na Petrobras, diz Gustavo Franco

Para ex-presidente do Banco Central, após a "opção de 2008" o país está substancialmente menos competitivo e a produtividade está estagnada

Rio – O ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco fez críticas à condução da economia brasileira após a crise de 2008, elencando erros, como descontrole fiscal, desorganização do setor de petróleo e regulatório em geral.

Para o economista, após a “opção de 2008” o país está substancialmente menos competitivo e a produtividade está estagnada.

Franco destacou, em evento no Rio, a perda de valor da Petrobras e Eletrobras, em meio ao “abuso de poder do controlador em detrimento dos acionistas minoritários e mesmo da população em seu conjunto”.

“Em ambos os casos perda de valor de mercado decorre de abuso de poder de controle. Órgãos de controle terão de se debruçar sobre isso”, afirmou.

Para o economista, o que acontece com a Petrobras é “quase uma agressão aritmética”.

“O congelamento de preços prejudicou fluxo de caixa da companhia e houve perda de valor de mercado de R$ 180 bilhões (de 2010 a março de 2014). É uma empresa mista sobrepujando os interesses dos minoritários, uma opção “curto prazista”. É preciso que a CVM se debruce sobre isso e os responsáveis sejam chamados para se explicar”.

Na visão de Franco, o reajuste de combustíveis não resolverá o problema.

“Não é aumentar o preço dos combustíveis que vai resolver o problema. É preciso mudar o modelo de operação do pré-sal, recuperar as agências regulatórias”.

Segundo ele, a escolha do modelo do pré-sal foi politicamente orientada e foi “falta de consideração com a matemática”.

Sobre Eletrobras, diz que houve “populismo tarifário em energia”, com perda de valor de mercado da companhia de R$ 34,7 bilhões entre 2010 para março de 2014.

A respeito dos leilões em aeroportos e estradas, Franco diz que os modelos foram baseados em modicidade tarifária, com opção pela mediocridade e risco alto de revisão.

Franco afirma que será preciso recuperar as agências regulatórias, agilizar PPPs (Parcerias Público-Privadas) e privatizações.