Honda deixará de produzir automóveis na Argentina

A montadora japonesa anunciou a medida com a justificativa de fortalecer o negócio diante das "abruptas mudanças" na indústria automotiva ao redor do mundo

A Honda anunciou nesta terça-feira, 13, que deixará de produzir, em 2020, automóveis em sua fábrica de Campana, na Argentina. Atualmente, a unidade produz o utilitário esportivo HR-V.

Em nota, a montadora informou que a planta continuará produzindo motocicletas. “Visando fortalecer a estrutura do negócio de automóveis, diante das abruptas mudanças da indústria automotiva ao redor do mundo, a Honda tem buscado reforçar a coordenação e colaboração inter-regional, otimizando a alocação e capacidade produtiva de automóveis globalmente”, destacou em comunicado.

A unidade da Honda Argentina possui capacidade de produção de 30 mil unidades de automóveis por ano, em dois turnos. A planta opera atualmente em um turno para o HR-V.

A subsidiária da marca japonesa continuará atuando com a comercialização de automóveis e os serviços pós-vendas no país. A produção de motos na planta teve início em 2006 e, a de automóveis, em 2011. A unidade possui aproximadamente 1000 colaboradores.

A indústria automotiva na Argentina é forte e possui uma ampla integração com o parque produtivo brasileiro. Muitas peças e veículos produzidos no Brasil são exportados para lá, e vice-versa. Com a decisão, a operação brasileira da Honda pode ser impactada, uma vez que existem alguns componentes do HR-V fabricados por aqui e enviados para a linha do país vizinho, como motores, que possuem alto valor agregado.

O SUV da marca japonesa também é produzido em outros países como Brasil, México e Japão.

Crise

A Argentina vem passando por uma profunda crise econômica. Nesta segunda-feira, 12, o governo local anunciou o aumento da taxa de juros em 10 pontos percentuais, para 74% ao ano, para conter a volatilidade do dólar.

A Honda informou, entretanto, que a decisão de fechar a linha do HR-V foi tomada em razão da busca pela otimização da alocação da capacidade produtiva de automóveis globalmente. “A decisão não está relacionada às políticas do governo ou à eleição geral (presidencial) da Argentina”, disse a montadora em nota a EXAME.