Heineken e AB Inbev travam batalha sobre tecnologia de barril

Em mais um episódio da concorrência entre as duas empresas no mercado de bebidas, cada uma tenta manter a outra fora do mercado de chope nos EUA

Em um mercado em que consumidores norte-americanos buscam mais qualidade do que quantidade em suas cervejas, as duas maiores fabricantes do mundo travam uma batalha judicial na tentativa de oferecer o melhor sabor em cada caneca.

A Anheuser-Busch InBev e a Heineken divergem sobre qual delas inventou elementos essenciais de uma nova técnica de servir chope que permite lotes menores e elimina a necessidade de barris de aço tradicionais, que utilizam ar comprimido e podem alterar o sabor ao longo do tempo.

As empresas participaram da primeira audiência nesta terça-feira 16, de um total de duas sessões, em processo que avalia a violação de patentes da tecnologia na Comissão de Comércio Internacional dos EUA, em Washington. AB InBev diz que foi a responsável pelo desenvolvimento das latas de cerveja, enquanto a Heineken – cujo processo é anterior ao da concorrente – afirma que foi a inventora do dispensador. Cada uma tenta manter a outra fora do mercado dos EUA para fornecer chope em pubs menores e lares.

“Os bares costumavam colocar grandes barris de Bud Light e Coors Light e vendiam tanto que o frescor não era um problema”, disse Trevor Stirling, analista do Sanford C. Bernstein. “Cada marca individual está vendendo menos. Agora você precisa de tecnologia para proteger o frescor por mais tempo, mesmo vendendo menos.”

Analistas dizem que o setor de cervejas, que movimenta 120 bilhões de dólares, tem se tornado mais fragmentado. Os norte-americanos agora bebem menos cerveja, mas estão dispostos a pagar por melhor qualidade.

As grandes cervejarias tentam manter participação de mercado em um cenário no qual até mesmo as cervejas artesanais estão perdendo terreno para o vinho e destilados. O volume total de vendas de cerveja mostrou queda na última década, embora as vendas em dólares tenham aumentado, segundo a consultoria Euromonitor International.