Halliburton planeja dobrar de tamanho no Brasil

A empresa planeja manter o ritmo de crescimento acima de 100%, como o registrado nos três últimos anos, o que inclui a instalação de um centro de tecnologia no Rio

Rio de Janeiro – A Halliburton, uma das principais multinacionais de serviços especializados para exploração de petróleo, quer chegar à liderança no mercado de apoio à indústria de petróleo e gás no País na virada de 2014 para 2015.

A empresa planeja manter o ritmo de crescimento acima de 100%, como o registrado nos três últimos anos, o que inclui a instalação de um centro de tecnologia, inaugurado nesta semana no Rio. Com isso, a operação brasileira se tornaria a maior da América Latina para a empresa, superando o México.

“O Brasil é muito importante. Talvez seja o maior mercado de águas profundas do mundo. E tecnologia é chave nisso”, disse o presidente de estratégia e desenvolvimento corporativo da multinacional americana, Tim Probert, em entrevista exclusiva ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

O centro de tecnologia inaugurado nesta sexta-feira, 14, é o 15º da Halliburton no mundo, incluindo unidades nos Estados Unidos.

“De vez em quando, gosto de pensar numa mudança no centro de gravidade para o Brasil, quando pensamos no investimento em pesquisa e desenvolvimento em águas profundas”, disse o vice-presidente executivo e chefe de operações da Halliburton, Jeffrey Miller. “Elementos-chave para isso estão aqui: unidades de pesquisa, cientistas brilhantes e um mercado de exploração em águas profundas.”

A previsão da Halliburton é dobrar sua operação de tamanho no Brasil este ano, em relação a 2010, tanto em receita quanto em investimentos, mas os executivos não revelam cifras. No primeiro trimestre, o balanço mundial da companhia registrou prejuízo de US$ 18 milhões e vendas de US$ 6,97 bilhões.


Atualmente, a Halliburton tem 2,7 mil funcionários no Brasil, segundo Probert. São sete bases de apoio País afora, em cidades como Manaus (AM) e Mossoró (RN).

Em Macaé, principal base de apoio da Bacia de Campos, no litoral norte do Rio, a companhia constrói duas bases de grande porte, uma de 100 mil metros quadrados e a outra de 120 mil metros quadrados. “Uma delas estará pronta no primeiro trimestre de 2014. A outra começará a ser construída e deverá estar pronta na segunda metade de 2015”, disse Harold Mesa, vice-presidente da Halliburton Brasil.

Apesar da capacidade das bases, a Halliburton mantém conversas para uma eventual planta no Porto do Açu, em construção pelo Grupo EBX, de Eike Batista. “Podemos ter uma linha de serviços lá, mas estamos avaliando”, disse, sem entrar em detalhes.

Nos Estados Unidos, a Halliburton tornou-se a maior prestadora de serviços de fraturamento hidráulico, a técnica de extração de gás natural de reservas naturais que poderá revolucionar o setor global de energia. Apesar disso, os executivos da companhia não veem nessa mudança um desestímulo a investimentos fora dos EUA ou na exploração em águas profundas.

Segundo Miller, a companhia divide seus negócios em três áreas – gás não convencional, exploração em águas profundas e ativos maduros – e todos estão em crescimento.

Os executivos lembraram que o Brasil tem oportunidades nas três áreas, incluindo potencial de gás não convencional, ainda que não desenvolvido. “Já temos alguns clientes trabalhando na Bacia do São Francisco. O potencial em gás não convencional é muito alto”, disse Mesa.


Ambiente

Na qualidade de prestadores de serviços, os executivos se negaram a avaliar o ambiente regulatório do setor no País. Tampouco revelaram insegurança com a atuação do governo em relação a casos como o vazamento de petróleo da Chevron, na Bacia de Campos, em 2011.

A Halliburton não esteve envolvida em acidentes graves no Brasil, mas era uma das prestadoras de serviços do poço da BP afetado pela explosão da plataforma Deepwater Horizon no Golfo do México, ocasionando um dos maiores vazamentos de petróleo da história.

No balanço do primeiro trimestre, o prejuízo foi marcado principalmente por causa de um custo de US$ 637 milhões, reservado para bancar disputas judiciais do caso.

“A indústria trabalha duro para garantir que tudo o que fazemos tenha um alto grau de integridade”, declarou Probert.