GPA expande concorrente do Rappi

O app de entregas James Delivery é uma das apostas da empresa no comércio eletrônico alimentar, divisão que cresceu 63,5% no quarto trimestre do ano

O GPA (Grupo Pão de Açúcar) está de olho no Rappi. A empresa anunciou a expansão do serviço James Delivery, aplicativo de entrega de tudo, para São Paulo. A startup, que até então atuava apenas em Curitiba, foi adquirida pelo grupo em dezembro para fazer entregas em até uma hora de itens urgentes para as lojas do Pão de Açúcar e Extra, bem como de produtos de restaurantes e drogarias.

O app de entregas é uma das apostas da empresa no comércio eletrônico alimentar, divisão que cresceu 63,5% no quarto trimestre do ano passado. No ano, o GPA teve receita líquida de de 53,6 bilhões de reais, evolução de 10,7%.

A expansão do James Delivery começou pela região do Itaim e deve chegar a toda a cidade até o fim do ano. Depois de São Paulo, o plano é levar o James para mais 10 cidades brasileiras, como por exemplo o Rio de Janeiro. É possível encomendar os produtos a partir dos aplicativos Pão de Açúcar Mais e Clube Extra, que já têm juntos mais de 8,1 milhões de downloads, ou pelo aplicativo do James Delivery.

Como São Paulo é uma cidade complexa e com uma forte concorrência, é o ponto ideal para a expansão do aplicativo, diz Lucas Ceschin, co-fundador do James Delivery. “Conseguimos ter um bom termômetro da qualidade, tempo de entrega e produtos mais pedidos pelos usuários”, afirma.

Ainda que tenha sido comprado pelo Grupo Pão de Açúcar, o aplicativo continuará fazendo entregas de itens comprados em outras varejistas. O pico de pedidos de restaurantes é diferente do pico de pedidos de supermercados, por exemplo, então unir diversos serviços mantém os entregadores ativos por mais tempo. A união com o Pão de Açúcar não atrapalhou a parceria com outras varejistas, diz Ceschin. “Pelo contrário, ter um nome tradicional e forte como o GPA por trás dá força ao negócio”, afirma.

Para o GPA, o aplicativo amplia as opções de entrega das compras feitas pela internet. O grupo já oferece delivery em até quatro horas, no dia seguinte e retirada na loja. O grupo era um dos parceiros do Rappi, mas deixou a plataforma após a aquisição. “Percebemos que fazia mais sentido ter uma empresa própria ao invés de uma parceria”, afirma Eandres Aguiar, gerente de operações online do GPA.

Além da James Delivery, o GPA firmou uma parceria recentemente com a Cheftime, startup de kits gastronômicos. Os kits podem ser comprados pela internet ou em certas lojas da rede.

O GPA não é o único varejista a investir em startups para ampliar sua presença no meio online. Em novembro, o Carrefour anunciou a compra do CyberCook, site de receitas, Mais do que ajudar o consumidor a planejar o jantar, o site também oferece um tesouro para o grupo Carrefour: uma montanha de dados. Com 4 milhões de usuários por mês e com a ajuda de inteligência artificial, é possível identificar tendências e hábitos de consumo.

O Magazine Luiza é outra empresa em busca da criação de um super app. Depois de crescer 35% em 2018, a empresa quer criar um aplicativo que sirva para compras a pagamentos e que seja usado diversas vezes por dia. A inspiração vem da China, que tem aplicativos como o WeChat, da Tencent, e o Taobao, do Alibaba, usados para conversar, fazer pagamentos, pedir um táxi, entre outros.

Mas o cenário não é tão fácil assim para os aplicativos de entrega. A empresa espanhola Glovo encerrou sua operação no Brasil em março. Conforme EXAME apurou, a filial estava sob forte pressão desde a visita do presidente global, Oscar Pierr. A dificuldade em aumentar seu espaço em um mercado como o de delivery que tem concorrentes muito fortes, como iFood, Rappi e Uber Eats, foi o principal motivo da baixa performance.