Grupo Ipiranga é vendido por US$ 4 bilhões

Ultra, Petrobras e Braskem assumem grupo petroquímico

Petrobras, Braskem e grupo Ultra anunciaram hoje a compra de todos os negócios da Ipiranga por cerca de 4 bilhões de dólares. Desse total, a Petrobras vai pagar 1,3 bilhão, a Braskem arca com 1,1 bilhão e o Ultra fará uma emissão de 52,8 milhões de ações da Ultrapar avaliadas em 1,6 bilhão de dólares que serão trocadas por papéis do grupo Ipiranga.

A Petrobras vai ficar com 40% dos ativos de petroquímica da Ipiranga e a Braskem, com o restante. O grupo Ultra vai assumir a rede de distribuição de combustíveis da Ipiranga nas regiões sul e sudeste e manter nesses postos a marca Ipiranga. Já a Petrobras assume a rede de distribuição nas regiões norte, nordeste e centro-oeste. A estatal terá cinco anos para trocar a bandeira dos postos Ipiranga dessas regiões para Petrobras Distribuidora. A refinaria de petróleo da Ipiranga localizada no Rio Grande do Sul, que tem capacidade para 17 mil barris por dia, será dividida igualmente pelos três novos controladores.

O negócio só deve ser concluído no último trimestre deste ano. Na primeira etapa as famílias controladoras do grupo Ipiranga – Tellechea, Ormazabaal, Gouvêa Vieira, Matos e Aguiar – vão repassar suas ações ao grupo Ultra. Depois, será realizada uma oferta pública de compra das ações da Ipiranga em poder dos minoritários. Na terceira fase do processo a Braskem e a Petrobras farão proposta para o fechamento do capital da Copesul, que tem o grupo Ipiranga em seu bloco de controle. Na quarta etapa, o grupo Ultra vai trocar ações próprias por papéis preferenciais de minoritários da Ipiranga. A operação será concluída com o repasse dos ativos da área petroquímica da Ipiranga para Braskem e Petrobras.

A Braskem informou que planeja investir 700 milhões de reais na unidade da Copesul em Triunfo (RS). A capacidade de produção da Ipiranga no setor petroquímico, que hoje é de 730 mil toneladas de polímeros, será aumentada em 250 mil tonelada dentro de dois ou três anos. “Vamos consolidar a Braskem como uma das dez maiores petroquímicas do mundo”, afirmou José Carlos Grubisich, presidente da empresa.

Já o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse que a aquisição não fazia parte do plano estratégico de investimentos da empresa, mas que está dentro do objetivo de aumentar a escala na área petroquímica. A estatal já participa do investimento de US$ 8,4 bilhões na Rio Polímeros, maior complexo gás-químico da América Latina, juntamente com Suzano Petroquímica, Unipar e BNDESPar. Com o negócio anunciado hoje, a empresa também vai aumentar sua presença na distribuição de combustíveis. A participação no mercado brasileiro deve crescer dos atuais 33% para cerca de 37,7%. O ganho de escala deve elevar a margem da empresa nesse setor sem, no entanto, levar a alterações nos preços dos combustíveis vendidos nos postos BR. “O setor trabalha com margens pequenas. Vamos ter um pequeno aumento dessa margem, mas não haverá alteração de preços para o consumidor nem para baixo nem para cima.” Ele também afirmou que não acredita que o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) possa impor restrições ou mesmo rejeitar o negócio. “Há mais de 250 distribuidoras de combustíveis no país. Além disso, postos de mesma bandeira competem entre si”, afirmou. Já Grubisich disse que o aumento da participação da Braskem em polímeros deve ser analisado pelo Cade em escala mundial, uma vez que o setor compete globalmente.

O presidente do grupo Ultra, Pedro Wongtschowski, admitiu, no entanto, que pode ter havido vazamento da informação de que o negócio seria fechado. Na última sexta-feira, as ações ordinárias da Refinaria Ipiranga subiram 4,10% enquanto o Ibovespa (principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo) caiu 1,27%. O volume de negócios também foi acima do normal, o que levou a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a afirmar que investigaria um eventual vazamento. “Pode ter ocorrido vazamento. A CVM deve investigar e, se concluir que a informação vazou, os responsáveis devem ser punidos”, afirmou Wongtschowski. Às 14h06 as ações ordinárias (com direito a voto) da Ipiranga Petroquímica registravam alta de 65,58%, para R$ 51. Já os papéis ordinários da Distribuidora Ipiranga avançavam 69.16%, para R$ 101,50. As ações com direito da voto da Refinaria Ipiranga, por sua vez, subiam 21,64%, para R$ 97,50. Em sentido contrário, os três tipos de ações preferenciais registravam queda no início da tarde. As baixas, no entanto, eram bem mais modestas e variavam de 1,79% para 8,75%.